Avançar para o conteúdo principal

A Crioulização, o Candidato e os dias

























A música (e as suas nuances) vem sendo um factor primordial na internacionalização de Cabo Verde. Esse fenómeno dá-se de formas diversas, quer pelos músicos cabo-verdianos que levam o nome do país para os quatro cantos do mundo, quer pelo encanto que amiúde a nossa música vem despertando entre as pessoas (artistas, inclusive) por esse mundo ao longe. No caminho encontramos vários casos.

Desta feita, escolhemos falar de ATIM (foto): um jovem marroquino nascido em França que convive durante toda a vida com cabo-verdianos. Por causa dessa convivência, Atim conseguiu não apenas dominar perfeitamente o crioulo, como também inclinar-se completamente para uma “vida artística crioula”. Ou seja, grava o seu primeiro disco com músicas cantadas grande parte em crioulo, com músicos também quase todos de Cabo Verde, e como título para o seu disco de estreia exibe “Tudo pa Bó”: um título que diz tudo, afiança.


A última música do CD de 19 faixas é um Funaná, e será certamente o sinal mais indelével que retrata ATIM como um caso sério de crioulização. Algo muito para além da constação “morabi” para o povo destas ilhas.

O Candidato

O Ministro das Infraestruturas, Transportes e Telecomunicações, Manuel Inocêncio, já sorri mais diante das cameras de TV, apresenta-se mais solto. Substituiu as gravatas clássicas para umas de seda, deu grandes entrevistas assumindo-se como candidato do PAICV. É ele que todos os dias aparece na televisão devidamente acompanhado pelo Primeiro-Ministro a inaugurar troços de estradas, pontes, portos, aeroportos em todos os cantos do país. Sobre ele, José Maria Neves disse: "Nunca um homem trabalhou tanto por Cabo Verde como este ministro". Sem considerandos de ordem subjectiva, ele é o Candidato do partido tambarina para os próximos embates presidenciais!

Os dias

Os dias fazem-se como o pão no forno: é esta simplicidade profunda que me fez cair de amores por Pablo Neruda, e aprender a ser vigilante para com o pão e cuidar sempre do forno.

Comentários

Tchale Figueira disse…
Bonito ver que a musica, a arte em geral pode unir povos... no fundo somos todos o mesmo povo com selecções culturais diferentes. Um Berber canta crioulo assim como um crioulo pode cantar Arabe Etc. O grande antropólogo Marvin Haris explica isso claro como água.

Manuél Inocencio, Zé Maria, Carlos Veiga: SEM COMENTÁRIO!
Tchale Figueira disse…
Esquecer do Pão e do Forno e de Neruda? fiquei distraido mas o cheiro do pão acordou-me e vi Neruda dançando.

Abraço fraterno
pura eu disse…
E até hoje danças com Neruda! O pão da poesia vivifica!

Beijos do mesmo forno...

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

“Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…