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Revoltas "na txom di morgadu"

ExampleA história da resistência das populações no interior da Ilha de Santiago de Cabo Verde é longa e penosa. A estrutura agrária em Santa Catarina, no século 19, é, segundo António Correia e Silva, muito particular, emergindo da decadente sociedade escravocrata que não só produziu uma enorme taxa de fuga de escravos, como criou, através do processo de alforrias, um número considerável de forros.
Revolta tipicamente camponesa, ocorrida em 1910, um mês depois da Proclamação da República em Portugal, e logo após a posse, na Cidade da Praia, do Governador Marinha de Campos, Ribeirão Manuel sintetiza, em razão profunda, um contexto em que o tipo de exploração agrária exacerba as estruturas de arrendamento em anos de intensa seca e de má colheita, polarizando tensões entre os morgados e rendeiros.
A razão imediata dessa revolta teria origem numa queixa do morgado Aníbal dos Reis Borges contra algumas mulheres, alegando que estas teriam invadido a propriedade da irmã para roubar a purgueira. A recolha e exportação destas sementes produtoras de sabão era monopólio oficial, note-se. Tropas estacionadas na então Vila da Assomada, chefiadas pelo temível sargento Machado, prenderam as mulheres e conduziram-nas para a Cadeia de Cruz Grande.

Mais Revoltas

Outra revolta importante foi a da Ribeira dos Engenhos, em Janeiro de 1822, num período de convulsões institucionais em Portugal e em Cabo Verde. A população local tem uma ideia muito remota desse acontecimento.

Em 1840, assiste-se a uma nova revolta, desta feita em Achada Falcão. Os amotinados, centenas de camponeses rendeiros e parceiros, avançam contra os solares dos morgados e gritam que as terras cultivadas eram suas. Estes atentam contra dois grandes morgados, Nicolau Reis Borges e Manuel Tavares Homem, presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina. A revolta que, ao tempo, demandava a reforma agrária, foi sufocada por soldados enviados da Cidade da Praia.
O Ministro da Cultura avançou-nos numa entrevista que o seu ministério tem um projecto de recuperação de alguns solares de morgado, no âmbito do resgate da contribuição dos sítios agrários à história das ilhas. O solar que pertenceu ao temível Carlos Coelho Serra na Ribeira dos Engenhos poderá ser um deles. A casa funciona como escola e encontra-se num estado avançado de degradação.

Comentários

Silvino Évora disse…
Esta história está muito interessante. Quando se dá uma mistura de "estórias" ou histórias - como se queira entender - bem remotas com as novas tecnologias (os blogues ou os jornais digitais), a coisa parece ter um efeito mágico.

Continua!!!

Silvino
Silvino Évora disse…
Esta história está muito interessante. Quando se dá uma mistura de "estórias" ou histórias - como se queira entender - bem remotas com as novas tecnologias (os blogues ou os jornais digitais), a coisa parece ter um efeito mágico.

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Silvino
Silvino Évora disse…
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Silvino
Silvino Évora disse…
Esta história está muito interessante. Quando se dá uma mistura de "estórias" ou histórias - como se queira entender - bem remotas com as novas tecnologias (os blogues ou os jornais digitais), a coisa parece ter um efeito mágico.

Continua!!!

Silvino
Silvino Évora disse…
Peço descupa pelos quatro comentários. O que se passou foi um erro do computador e quando pensei que ele não tinha publicado o comentário, lá ia sendo publicado.
Por isso, "perdón"...
Silvino

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