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Notas livres

Património

A polémica patrimonial despoletada em S.Filipe dias antes das festividades do 1º de Maio, por uma carta aberta de Fausto do Rosário ganha novos contornos. A imprensa pegou no caso, o Ministro da Cultura reagiu e dias depois a Câmara Municipal de S.Filipe respondeu ao Manuel Veiga, com acusações de ligeirezas, e outros mimos. No último número do Jornal Expresso das Ilhas, mais um colunista destilou a sua indignação com o rumo que o património construído sanfilipense está a tomar. A Câmara local agendou, entretanto, uma reunião municipal para abordar esta questão. Antes de acabar com este blog, espero vir a ter a oportunidade de escrever a decisão final desta novela mexicana, em todos os sentidos da expressão. E sobretudo, conhecer o tal parecer técnico do INIPC (nunca consigo lembrar dessa sigla... só sei que é o Instituto que cuida do nosso património).

Revelação

Kamia, a nossa confrade, foi agraciada com uma Menção Honrosa, no âmbito do concurso para o prémio Orlando Pantera, Revelação em Literatura. E confesso que ela é de facto uma revelação. A propósito, li a entrevista concedida por Abraão Vicente ao asemanaonline, e achei pertinente o seu juízo sobre a necessidade de os artistas plásticos locais emprestarem universalidade à sua arte. A nossa era de afirmação já foi. Somos um país independente, com os pés nos quatro cantos do mundo, e com cabeça em movimento, (curiosamente, desde há muito). O que me fez apaixonar pela escrita da Kamia é a universalidade, os cruzamentos descomplexados que ela faz, as referências que ela tem. Uma jovem inglesa poderia escrever aqueles três contos... a escrita perfumada é o toque da Kamia.

Zouk

Descobri, por uma indicação da Kamia que gosto do Sali, zouk do bom como ela diz, e bem. Lembro-me agora, de um outro post, da sua confessa paixão pelas músicas do Beto Dias. Foi com Beto Dias e Rabelados que o funaná estilizado ganhou dinâmica na diáspora. Foi com Beto Dias e Rabelados que, de certa forma, o funaná ganhou as ilhas, numa fase mais recuada da árdua tarefa do Catchás, é claro! Ainda hoje, aparentemente desgarrado dessas conquistas, Beto dá que falar e poderia dar muito mais.

Comentários

Anónimo disse…
Dizer "novela mexicana", em sentido pejorativo, é políticamente incorrecto e não se compõe ao perfil da boa jornalista que é Margarida Fontes. Seria dizer "dia negro" e "africanices"...

No tangente ao Zouk, há bom e mau Zouk, com em qualquer gênero. O funaná contemporâneo, sem fazer más referências ao Beto Dias e aos Rabelados, tem grandes momentos: o Carlos Alberto Martins (Catháss), o Orlando Pantera e a banda Ferro Gaita. Não se confunda, bom músico com o músico que marca uma época ou um movimento. A malta do Zouk Crioulo ainda não chegou lá, o que não quer dizer que não faz música dançável e de rápido consumo.

Mas, enfim, gostos...
Pura eu disse…
Novela mexicana: dramalhão, enredo prolongado... não necessáriamente pejorativo... os adjectivos como eles são.

Beto Dias e Rabelados foi o grande momento do funaná "na diáspora", foi o que eu escrevi!

Porque não se identifica...? daria mais alma ao debate.
Pura eu disse…
E essa, Sr(a) anónimo(a), de malta do zouk crioulo... não lhe soa pejorativíssimo?!
Anónimo disse…
Zouk criuolo, jazz latino, merengue angolano são identificações sem conotações maliciosas. Pejorativa é a forma que muitos fazem o Zouk, adulterando-o com arranjos simplistas e com plágios...

O meu ID será revelado em devida altura. Por ora, ele não tão relevante assim.
Kamia disse…
Aguardemos então a decisão final e esperemos que ela seja a melhor para a ilha do Fogo e para as suas gentes.

A tua opinião conta muito para mim, por isso agradeço-te mais uma vez.(vou espreitar a entrevista do Abrãao).

Este anónimo eu sei quem é. Ele já esteve no meu blog e quando lhe convem usa nome.

Relativamente ao zouk caboverdiano, é verdade que há muito lixo a ser feito por aí que a maioria dos cantores limita-se a usar a mesma fórmula vezes sem conta, mas existe sim, o bom zouk caboverdiano.
Em que parte do mundo que a música mais popular não é a mais desprezada e considerada inferior?
Dantes passava-se o mesmo com o funaná e o batuku (que eram as musicas que animavam os bailaricos), mas como agora é música apreciada pela elite e levada lá fora para mostrar o nosso "folclore" então é (merecidamente)valorizada.

Só para terminar,e embora saiba que a Margarida não precisa de quem a defenda, eu estou em crer que ela aqui não está na qualidade de jornalista. Isto é um blog pessoal por isso ela é livre de ser politicamente incorrecta se lhe apetecer. Embora eu não perceba o que há de pejorrativo em dizer "novela mexicana" ...
Pura eu disse…
Gostei da tua defesa, Kamia. Obrigada. Todos precisamos de tudo.
Beijos mil.
Djinho Barbosa disse…
Gostaria tanto de ver a voz de Beto Dias num outro "beat". Já disse isso pessoalmente a ele.
Mas não me pareceu que levou a sério...
Comandante Alien disse…
...kassav ça va! Slai ta passà , mas 'm ta concordà ke critica de anonimo, relativamente a um certo tipo de zouk , muito corrente na nôs terra( e fora dele); por azar(ou puro azar lol), um da kês coza é que ka ta tcha nôs musica avançà màs é ess cena de zouk love( de amor a dinheiro facil, a palhetas, brilhantina etc), porque devido a facilidade com quel é construido, que certamente bsot ta fca abismado...mim um ta curti nha musica de C.v. um curti (tradicional e mais moderno tb) mas um tem um odio visceral a zouk love e a esh gente k' crê sô fazé dinheiro , a custo de um cultura intero... é sô nô abri radio pa nô sabé até k ponto é verdade...
Silvino Évora disse…
A discussão aqui engendrada acerca da qualidade da música moderna (zouk love: não estou a querer dizer que a nossa música moderna circunscreve ao Zouk) já foi levada a cabo há mais de sessenta anos, pelos pensadores da Escola de Frankfurt, que, criticando a industrialização da cultura, queriam criar uma teoria crítica da sociedade. Não é que esses teóricos estudaram a música cabo-verdiana propriamente dita. Estou apenas a fazer um paralelismo, já que os frankfurtianos queriam perceber como é que a arte regia à “cultura industrializada”. Benjamin fala até na perda da experiência humana, onde todos nós somos guiados pelos simulacros, iludidos de que estamos a consumir a cultura. Na verdade – obedecendo a lógica dos críticos da indústria cultural – não consumimos a cultura, mas a sua “aura”, desprovida de qualidades como autenticidade, originalidade e a própria essência da arte e da cultura.
A Escola de Frankfurt sofreu muitas pressões e muitos interesses procuraram enterrar os seus argumentos porque a sua afirmação dificultava o negócio de “cultura fácil”. Mas, não vou me deter nessas concepções teóricas (que muito nos ajudam na fundamentação do nosso olhar sobre a realidade).
Criticar o Zouk cabo-verdiano implica criticar toda a “cultura jovem” da actualidade. Os músicos cabo-verdianos ganham apenas uns tostãozinhos comparados com as estrelas mundiais da música POP. Pergunto: que cultura nos apresenta os músicos do Hip Hop, que falam apenas de Sexo, Mulheres e Drogas? Estes é que estão a fazer verdadeiras fortunas a troco de uma “cultura fácil”. E contra essa tendência, não há críticas, nem teorias que conseguem vingar. No entanto, eu sou claramente um “fun” do bom Zouk Cabo-verdiano . Isso de Bom Zouk, minha gente, há muito que se lhe diga. hehehe
Anónimo disse…
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