Avançar para o conteúdo principal

A magia dos Festivais (da socialização)














Nos dias que correm uma cidade em afirmação (ou em transformação) e em busca de novas formas de socialização, caracteriza-se muito pela promoção de festivais temáticos (com realce no local), sobretudo pela dinâmica que essas iniciativas conseguem empreender. Os activos social e cultural que envolvem o espírito de um festival desse tipo (aqueles com proposta, como Kriol Djazz Festival) contam muito e traduzem-se em encontros e descobertas, a vários níveis. Esse tipo de eventos capta determinados perfis de músicos, de artistas e de público, ajudando com o tempo a criar circuitos reconhecidos fora e dentro do território. É um investimento que pode custar à primeira, até porque não se ganha financeiramente, mas o resultado no tempo vale a pena. Aliás, diria, ser essa tendência mais um dos subtis resultados da tão propalada globalização: o Kriol Djazz Festival é local, criolo, di terra, ainda que sob uma movida tão global como é o caso do Djazz.

Vida longa, portanto, ao Kriol Djazz Festival que ontem fez do Plateau um palco de alto nível a abrir com a prata da casa, Tcheka, seguido da banda Meddy Gerville - foto -(Reunião) e a encerrar Ba Cissoko (Guiné Conakry). Hoje continua: Mário Lúcio, Lenine (Brasil) e Mario Canonge e Ralph Thamar (ex. vocalista da banda de zouk Malavoi)

Raridades

Criar um Festival depende de um bom argumento, e não existe fronteira para isso acontecer, basta que o ambiente à volta sustente a idéia, e haja gente disponível. O slowfoodonfilm é um exemplo bonito de como as iniciativas podem ser imparáveis: é um Festival de cinema fundado no ano passado na Itália pelo jornalista e músico Stefano Sardo e segue a linha do movimento Slow Food criado por Carlo Petrini em 1986, na Cidade de Brá. É congregar filmes (curtas metragens e séries de TV) que mantém uma relação especial entre o alimento, a biodiversidade e a paisagem à volta; estabelecer uma relação de paixão para a comida na tela. O Festival que decorre em Maio, na Cidade italiana de Bologna, também incentiva projectos para filmes nesse domínio. Uma ideia absolutamente inspiradora ...

Salvador da Bahia é hoje a Roma da percussão (e de toda experimentação musical que bebe na cultura percussionista) muito devido ao Perc Pan (Panorama percursivo mundial), festival internacional fundado há 15 anos por Beth Cayres nessa cidade, e que envolve nomes como Gilberto Gil, Nana Vasconcelos (ex. co -directores artísticos e apresentadores do Festival) e Marcos Suzano (actual director artístico e apresentador).

A movida

Vamos ver mais, descobrir-nos a nós e os outros, e criar novos Festivais na Praia, No Fogo, no Maio... em busca de novas magias crioulas.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…