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O tempo... o mar

sense




















Ando muito sensível e meio desarmada com as coisas ao meu redor. E ontem no lançamento de “Na Esquina do Tempo, Crónicas de Diazá” do Antropólogo Manuel Brito Semedo, o momento foi de especial emoção. O gesto de Brito Semedo “mexeu” comigo e confesso que estes rabiscos serão tudo o que quiserem, menos uma resenha de leitura resultante de uma interpretação rigorosa e objectiva.
Brito Semedo nessa obra mostra-se como um cronista de vidas passadas e de histórias do seu quotidiano homenageando a sua avó, Mãe Liza, a mãe e a filha. Três gerações de mulheres que ajudaram a moldar a sua personalidade, como, aliás, confessa. Mas também a escrita é de lembranças dos lugares e das situações memoráveis vividas com colegas de jornada. A descoberta do cinema (ou será a sua capacidade de transposição?), os marcos convencionais como festas de aniversário e de formatura (numa dialogia entre a ausência e a presença, mais tarde) também atravessam os textos.

Antes de ler tais crónicas, quis saber se as histórias eram tristes, alegres ou, finalmente, um misto disso tudo. Brito Semedo, sem hesitar, respondeu: “São tristes... foi uma catarse que decidi fazer com a minha vida”.

A dependência (emocional, inclusive) da avó, as dificuldades, os sonhos escondidos, a relação de desamor com o pai, tudo surpreende pela sua dimensão existencial. “Crónicas de Diazá” conta-nos a história de um ser humano que soube reconhecer o valor que outras pessoas tiveram no seu crescimento e na estruturação da sua personalidade. Desde a avó aos amigos,, passando pela primeira esposa e filhos... o homem atravessa o tempo com as suas mágoas, sem se deixar amargar. O ser humano que hoje decide compartilhar (com afecto, diga-se) as facetas que o fizeram.

Em nota: Todos os lucros do livro revertem-se a favor da Associação de Luta contra o Cancro.

O mar

Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos viram o seu olhar...

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