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Dos consensos ao dissenso

Magrite


















1.

Um debate inédito entre Carlos Veiga, antigo primeiro-ministro, e actual chefe do governo, José Maria Neves, marcou em força a retomada do Jornal A Semana, e este semanário está de parabéns por esse feito. Questões estruturantes estiveram em cima da mesa, e curiosamente muitas foram alvo de consenso, contradizendo, em muitos casos, posições defendidas pelo actual líder do maior partido da oposição, o que não deixa de ser estranho.

Relativamente à diplomacia, uma questão continua a dividir as opiniões do MPD e do PAICV, e a condicionar os actos destes partidos, tanto na oposição como na situação: a relação de Cabo Verde com a África, mais concretamente com a sub-região.

É quase chavão dizer que Cabo Verde se fez por causa da sua posição geo-estratégica. Mas torna-se urgente fazer crer a muita boa gente que o interesse em relação a Cabo Verde da Europa, dos Estados Unidos, da China e do Brasil, advém única e exclusivamente da sua posição privilegiada na encruzilhada do mundo e às portas do continente africano.

Carlos Veiga considera de "criticável" a presença de Cabo Verde na CEDEAO, e o balanço que faz dos trabalhos dessa comunidade "é decepcionante". Os seus argumentos são plausíveis e reais. Mas vejamos: Porque e como desistir de uma região que nos pertence geográfica, histórica e culturalmente? Mais, quais seriam os argumentos nossos para tal desfeita, junto da União Europeia, e dos outros gigantes que se aproximam de nós por causa da nossa posição vis-a-vis ao continente africano? Somos incapazes de nos relacionar com a África? As integrações, em se tratando de países soberanos, não são totais, como sabemos, nem todas as opções políticas da CEDEAO vão condicionar a governação interna, e muito menos a relação externa de Cabo Verde. O primeiro-ministro é peremptório: “Cabo Verde só é útil nesta região e no quadro da CEDEAO".

2.

By the way chegou a Cabo Verde outra piroga com mais de uma centena de africanos de diferentes nacionalidades nessa aventura pós-moderna de cruzar os mares rumo à Europa. Uma tragédia humana a que já nos habituamos, e com a qual sequer perdemos o nosso tempo.

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