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Mário…em nós incluído

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Morreu à meia noite de ontem, vítima de um AVC, Mário Fonseca, um dos maiores poetas cabo-verdianos, contemporâneo de Arménio Vieira, Corsino Fortes e João Vário. O autor do célebre poema “Quando a vida nascer” cultivou a poesia, tanto em língua portuguesa como em língua francesa, e deixa uma bibliografia de elevada referência para a literatura cabo-verdiana.

Sob o título“Mon Pays est une Musique” publicou em vida os livros de poesia: Près de la Mer, Mon Pays est une Musique e Poissons, deixando na calha a obra “Morrer Devagar”, em ponto de publicação.

Fonseca cultivava uma escrita universalista e não telúrica, de profunda inquietação humanista. Para além de poeta, era professor, ensaísta e colunista. Tinha uma coluna semanal no jornal Expresso das Ilhas, e colaboração dispersa em vários periódicos e revistas nacionais e estrangeiros. Foi Presidente do Instituto Nacional da Cultural, durante os anos noventa, e chegou a ser nomeado presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, cargo que não chegou a ocupar por motivos de saúde.

Mário Fonseca foi também combatente da liberdade da Pátria, no período colonial, tendo sido não só preso político em 1961, como companheiro de Amílcar Cabral em Conacri.
Era admirador confesso dos poetas da língua francesa, de que se destacam os clássicos Charles de Baudelaire e Arthur Rimbaud, bem como dos mais contemporâneos como René Charr, Aimé Cesaire e Leopold Sédar Senghor, de quem fora amigo pessoal. Mário Fonseca exerceu uma pedagogia cultural junto aos poetas cabo-verdianos mais jovens, revelados nos anos 80 e 90.

No pórtico da obra “Se a luz é para todos”, Mário Fonseca escreveu o seu vaticínio essencial:

O que vos digo: nada me exclui
De nada. Estou incluído em tudo.
Tudo está incluído em mim. Mesmo
Depois de morto estarei em vós incluído
.


Foto: Mito Elias

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