18 de setembro de 2009

Verde afã de uma palavra vã






















Cabo Verde!

Serás tu
vã expressão
neste diário afã
de te querer verde?

Serás tu
fútil alcunha
vilipendiando
os semblantes nossos
de rocha nua e agreste

fátuo cognome
deste chão basáltico
de perfil verde

mera denominação
deste torrão famélico
de espasmos verdes

ou tão só verde nome
espoliado à esperança

baptismal e irónica nomeação
da fraternidade da semente

que no pesadelo da erosão
da terra mulata e estéril
faz crescer acácias
nem verdes nem rubras?

Serás o verde
que nas áridas achadas
do seco lugar sonhado cabo verde

canta a mão que semeia
e faz germinar
pés árvores de sonho

ou tão só
o verde que acaba
e ressurge nos sonhos de amanhã
do retorcido cabo da enxada?

Caboverde!

Serás tu palavra vã
ou o infinito enredo
o íntimo desvelo
de um verde afã?
autor: Nzé di Sant’ y Águ (versão refundida)

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