Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2005

O esplendor da Independência Nacional

Cabo Verde conquistou a sua independência a 5 de Julho de 1975. Volvidos trinta anos, há muitos motivos de comemoração e de reflexão.
Desde logo a necessidade de perspectivar a Independência Nacional a partir da evolução histórica da criação da língua e da cultura endógenas, da noção de si e de pertença, algo então ocorrido ainda na cidade de Ribeira Grande.
O nacionalismo cabo-verdiano forma-se cedo, a partir da crioulização dos reinóis e dos escravos africanos. O nascimento nas ilhas obriga uns e outros a um esforço de adaptação. Nasce uma nova sociedade a todos os títulos crioula, em que todos se apartam, um pouco, das suas raízes de origem para a re-invenção de um modus vivendis singular.
Muitos estudiosos consideram que foi na era Pombalina com a criação da Companhia de Grão Para e Maranhão, com o monopólio do tráfico com a Costa Africana, que surgem tensões e dicotomias políticas, económicas e sociais em Cabo Verde.
Essas tensões tornam-se mais nítidas no período entre 1820-1822, em…

S.João, Brava e Eugénio Tavares

A Ilha Brava, fez cair o pano sobre mais uma “Festa de São João Baptista”, celebrada a 24 de Junho. Como sempre, são incontáveis os filhos da ilha, residentes em outros pontos do país e na diáspora, que escolhem a data para visitar os familiares e matar saudades da terra natal.
Mais uma vez, a Câmara Municipal não teve a feliz sorte de passar a bandeira a um particular, o que, do nosso ponto de vista, é preocupante. No Fogo, por exemplo, a passagem da bandeira é um assunto quente devido à longa lista de pagadores de promessas ávidos de serem o próximo festeiro.
É a quarta vez que a Câmara assume a bandeira, mas diz-se orgulhosa e encara o acto como um incentivo à tradição local. Esse “impasse”, dizem muitos, poderá ser o reflexo do desânimo das gentes da Ilha de Eugénio Tavares. Sem infra-estruturas básicas, como ligação marítima, por exemplo, falar em turismo, emprego e desenvolvimento é uma miragem. O sentimento de abandono e marginalização da ilha é generalizado. Por outro lado, mui…

Ilha do Fogo terra ditosa

Encontrei esta foto num site que merece ser visitado: dedicado a Orlando Ribeiro considerado o renovador da Geografia no Portugal do século XX, e o geógrafo português com mais ampla projecção a nível internacional. A linha das suas publicações revela um geógrafo comprometido com a sua ciência e um dos grandes intelectuais que soube, com a sua investigação e rigor, retratar povos, e culturas perdidas por esse mundo fora, principalmente os da ultramar portuguesa. É com essa ambição, que Orlando Ribeiro chega a Cabo Verde em 1952, mais precisamente à Ilha do Fogo, tendo nos deixado como reflexo desse olhar de antanho “A Ilha do Fogo e as Sua Erupções”, uma obra que retrata a vida social, a paisagem e a cultura da Ilha do Vulcão. Orlando Ribeiro era também fotógrafo, e foi nessa condição que registou momentos singulares da Ilha.

Ilha do Sal já tem escola de música

A Ilha do Sal é um dos poucos lugares de Cabo Verde, que pode se orgulhar de ter uma escola de música – O Conservatório dramático e musical. Uma escola criada pelo brasileiro Samuel Silva, formado em composição e regência, pela Universidade de S. Paulo, e em Violão Clássico e erudito, pelo Conservatório Heitor Villa-Lobos, ambos no Brasil.
Portador de uma vasta experiência na área, Silva veio a Cabo Verde com a expectativa de se inteirar da música que se faz nas ilhas e conhecer a cultura do país. “Chegando aqui deparei com uma certa lacuna de ensino no âmbito musical”, declarou à TCV, numa entrevista concedida à Jornalista Carciana Lima. Samuel resolveu ficar e abriu o Conservatório dramático e musical, em Novembro do ano passado, por iniciativa própria. Apesar das dificuldades, sobretudo as de ordem infraestrutural, a escola começa a ser um caso de sucesso no Sal, confirma a jornalista. A escola funciona com 116 alunos, num universo populacional de 16.000 habitantes, o que não deixa …

A Rota do Escravo

O livro “Itinerários da Memória, Escravatura e Tráfico Negreiro na África Lusófona”, editado pelo Comité Português do Projecto UNESCO, "A Rota do Escravo" está exposto, em painéis, numa exposição, imperdível, na Biblioteca Nacional, na Praia. Uma mostra que enquadra os lugares ligados à rota do escravo existentes nos Países de Língua Oficial Portuguesa.
A célebre ilustração de uma caravana de escravos dirigindo-se para o Téte, em Moçambique, ferros utilizados em Angola para marcar escravos, e lugares como Cidade Velha, em Cabo Verde, são alguns símbolos que nos remetem ao período mais cinzento da história da humanidade – o tráfico de escravos. Assunto, aliás, muito actual, tendo em conta o projecto "A Rota do Escravo", lançado pela UNESCO, em 1994, com a ideia de promover estudos e actividades sobre esse triste episódio da história da humanidade.
A agenda foi lançada, formalmente, no Benin, curiosamente, o lugar que abrigou, séculos antes, um dos principais centros …

Ferro Gaita actua em festivais de renome no Canadá

O grupo Ferro Gaita participa, no próximo mês, no Canadá, em dois festivais de música de prestígio. A 2 de Junho sobe ao palco do “Festival Noites de África” em Montréal, que já vai na sua 20ª edição, para na semana seguinte fazer uma paragem no “Festival de Música da Harborfront”, em Toronto.
Segundo a MB Records, a produtora que agendou esses dois shows, esses festivais são de renome, pela diversidade musical e pela qualidade dos artistas que apresentam. Harborfront, um centro cultural e recreativo de Toronto, fez de Canadá um dos mais importantes centros da chamada world music na década de 90, comparado apenas com o Festival de música de Vancouver.
Em cada ano o “Festival de noites africanas” apresenta aproximadamente 300 músicos, cantores e dançarinos, incluindo Alpha Blondy, Prince Diabaté, Queen Étémé, Zal Idrissa Sissokho, André-Marie Tala e ainda Maria de Barros.
Ferro Gaita, inquestionavelmente o embaixador do Funaná e da Tabanka, ritmos tradicionais originários do interior da I…

O grito de um povo

Gostariamos de justificar este post com o facto das revoltas dos escravos, tanto no Brasil, como em Cabo-Verde terem tido, muitas vezes, traços idênticos, sem dizer que os motivos eram os mesmos, a manutenção da escravidão. Prometemos voltar, sempre que possível, com curiosidades sobre este momento histórico que muito apreciamos.
Durante as primeiras décadas do século 19 muitas revoltas de escravos se fizeram sentir na Bahia, Brasil. A mais importante de todas foi a Revolta dos Malés, uma rebelião de carácter racial, contra a escravatura e a imposição da religião católica, que decorria em Salvador, em Janeiro de 1835. Nessa época quase metade da população da Cidade de Salvador era constituída por escravos negros ou livres, das mais variadas etnias africanas, inclusive aquelas de religião islâmica, como os haussas e os nagôs. Foram eles que organizaram a rebelião conhecida como Revolta dos “Malês”, termo que designava os negros muçulmanos que sabiam ler e escrever árabe.
A maioria deles …

Herança da escravatura

Foto de Luiz Morier, publicada na capa do diário brasileiro "Jornal do Brasil" de 29/09/1982, tendo rendido ao autor os prémios Esso e Wladimir Herzog . Em primeiro plano no canto esquerdo um polícia militar segura uma corda que amarra 7 homens negros pelo pescoço. "Batida policial nos morros de Rio de Janeiro", foi o título da fotografia, imediatamente ligada à ilustração feita pelo pintor e ilustrador francês, Jean Baptiste Debret, que viveu no Brasil de 1816 a 1831, na qual um grupo de negros aparece amarrado também pelo pescoço com uma corda, sob a vigilância da guarda. Até quando a história continuará a repertir-se?

Ministros da Cultura querem mais protecção à Diversidade Cultural

Ministros de Cultura de 71 países, entre eles Manuel Veiga participarão de uma reunião em Madrid neste fim-de-semana para reafirmar uma convenção patrocinada pela UNESCO que busca proteger a diversidade cultural dos países. Os Estados Unidos, a Alemanha, a Grã-Bretanha, o Japão, a China e a África do Sul são contra a proposta.
A convenção pretende ser um instrumento primordial para assegurar o desenvolvimento das diversas culturas, um equilíbrio entre a livre circulação de bens e serviços culturais e a necessária protecção das culturas minoritárias.
O encontro madrilenho foi convocado pelos ministros da Cultura da Espanha, da França e do Brasil no dia 21 de Março de 2004, durante o Fórum Cultural Mundial, que aconteceu em Julho de 2004 na Cidade de S. Paulo, Brasil.
Os ministros se encontrarão uma semana depois de mais de 500 especialistas de 130 países terem concluído em Paris árduas negociações para definir os termos da Convenção Internacional sobre Protecção da Diversidade dos Conteúd…

João Lopes Filho lança obra na Praia

A Capela do Pico Vermelho em Santiago é o título do livro que o investigador e escritor cabo-verdiano João Lopes Filho publica, hoje, no Centro Cultural Português/Instituto Camões, na Praia. Um estudo sobre a história da Capela do Pico Vermelho, na Cidade de Santiago, ex. Cidade Velha, que abrange os séculos XVI e XVII.
A obra vai ser apresentada por António Correia e Silva. O historiador considera o livro de extrema importância pelas especificidades de estudo que apresenta, e pela abordagem que empresta a esta importante instituição vincular.
A Capela do Pico Vermelho em Santiago é o quinto título da colecção “Documentos para a História de Cabo Verde”, editada pelo Centro Cultural Português.
João Lopes Filho, que também é engenheiro técnico agrário tem já 16 obras lançadas, (13 dos quais sobre Cabo Verde). Pronto a ser lançado encontra-se igualmente “In Memorian: João Lopes”: uma obra que vai desmontar, segundo uma entrevista que o autor concedeu à jornalista Glaucia Nogueira, o mito qu…

A passagem de Leonardo Fea por Cabo Verde

O naturalista italiano, Leonardo Fea, que ficou célebre pela exploração da Birmânia chegou a Cabo Verde em 1898, provindo daquele país, ao serviço da Sociedade de Geografia de Génova e coligia para o Condi Salvadori, ornitólogo. A pobreza da fauna destas ilhas foi para ele uma decepção. Em todo o caso, encontra algo interessante: o cuco europeu e cágados em S. Tiago – o ilhéu de Santa Maria, terras muito áridas onde Darwin acampara em 1831 sem descortinar, entretanto, esses animais. A passarinha, sim, descobriu-a ele, referencia o site da triplov.
Leonardo Fea explora as ilhas da Boavista, Santiago, Fogo, Brava e S. Nicolau e os Ilhéus Rombo e Raso. Numa das ilhas descobre uma nova espécie de procelária, de que Newton envia exemplares a Bocage, Oestrellata feae.
Fea passa quinze dias no Ilhéu Raso, numa barraca improvisada, a apanhar lagartos.

Fontoura da Costa: o comandante governador

Fontoura da Costa foi nomeado Governador de Cabo Verde em Agosto de 1915.
Estudou os problemas agrícolas cabo-verdianos e tomou medidas importantes durante o seu governo, que se revelaram decisivas para a educação em Cabo Verde. No começo dos anos 30 do século XX o analfabetismo já era um problema muito combatido em terras cabo-verdianas. Em 1932 as 150 escolas primárias existentes no arquipélago eram frequentadas por 8.000 alunos dos dois sexos, numa população de 150.000 habitantes.
Aquando da inauguração do Liceu de S. Vicente, mais tarde denominado “Liceu Central Infante D. Henrique”, hoje Jorge Barbosa, o governador terminava o seu discurso exortando ao adolescentes que abraçassem os estudos e a instrução, de uma maneira geral, como um meio de vencer as adversidades da vida. Palavras entendidas por muitos, na altura, como certas e proféticas de um distinto pedagogo.
Enquanto Governador redigiu ainda um trabalho intitulado “Naufrágios na Ilha da Boavista. Desde 1842 a 1916”. Possivelm…

S.Filipe: Cidade de todos os santos

Quando se fala em S.Filipe pensa-se na sua localização voltada para o mar e nos seus sobrados, pela sua arquitectura, pelo seu urbanismo e pelo seu percurso humano e social. Esse mundo dos sobrados que testemunha um certo drama e uma certa grandeza reclama, entretanto, um tratamento mais dinâmico.
Uma iniciativa de preservação que salta à vista de quem visita a ilha do Fogo é a Casa da Memória da cidadã Suiça Monique Widmer que escolheu a cidade para viver. Situa-se na parte histórica da cidade e é uma antiga casa de habitação e, depois, casa comercial, que serviu, nos anos 60, para projectar filmes, funcionando assim como o primeiro cinema ao ar livre do Fogo.
Desde a sua restauração, em 2001, a Casa da Memória tornou-se num museu incontornável que acolhe em permanência uma exposição etnográfica dos diferentes aspectos da cultura e da história da Ilha do Fogo.

São Filipe também encanta pela força das suas tradições patenteadas na secular presença da Igreja Católica na ilha e num sincret…