Avançar para o conteúdo principal

Retalhos


1.

À noite sempre escuto a Rádio Educativa. Fazem uma boa seleção musical, o que denota uma certa noção do momento e do silêncio. Mesmo durante o dia, quando a ocasião se impor lá estou eu a sintonizar essa frequência. Numa época em que os profissionais da imprensa cabo-verdiana são tratados por alguns iluminados como ignorantes franciscanos vale trazer este e outros exemplos. Fico por aqui...

2.

Depois de tudo,
ela retoma o seu caminho
e segue sorrindo

ele, da dor é vizinho cativo
dá e recebe, sempre
é a lei da vida.

2.1

Os escritores que escrevem sobre livros deveriam ser lidos repetidas vezes por todos aqueles que prezam a leitura. Não só aconselham os caminhos existenciais da leitura (nada que se assemelha às 100 obras imperdíveis), como apresentam os autores, a sua humanidade, a sua relação com a vida. Isso é tudo muito mais complexo do que parece. Depois de ler esses homens (Ítalo Calvino e Henry Miller são alguns) os livros que lemos (e sobretudo aqueles que relemos) ganham novos significados.

2.2

Relendo "A Dor" de Marguerite Duras (tenho por ela amor) comecei a reflectir sobre a dor... em todas as suas formas. Percebi que nunca lidei com ela. Alguém ma apresentou, rapidamente despachei-a. Ela é insistente e eu resistente. Vi a sua face e não a sua alma, mas a dureza é a mesma. Nem tu, nem ninguém há de conhecê-la por mim. Já dele não poderei dizer o mesmo. É da dor vizinho cativo.

3.

O 31 de Agosto passou (data proposta para ser o dia do blog), queria dizer algo, mas sou péssima em assinalar datas. Por um impulso desconhecido deixo passar como uma onda os dias significativos para mim. Por falar em datas, vejo que Kamia lembrou-se de nós. Há dois anos nascia Lantuna, Albatrozberdiano e Os Momentos, dir-se-ia que movidos por um espírito concêntrico. Alguns nasceram antes, muitos depois. Muitos outros virão. Queremos poesia, humor, críticas, ideias, estilos, atitude... Precisamos disso para ser uma comunidade. Ainda falta muito.

Comentários

Anónimo disse…
Vergonhosa forma de estar no Blog...
Pura eu disse…
Vergonha teria se fizesse um blog como anónima... Suponho que a tua reacção seja à última parte deste post. Em muitos outros países mais avançados ainda não existe uma comunidade de blogueiros... aqui por razões óbvias (que vc conhece) ainda está-se a dar os primeiros passos.
Anónimo disse…
Vergonhosa a sua visão da comunidade blogueira. Os tais blogs que citou não passam de pretensões pseudointelectuais. O espírito cibernauta é outra coisa. Mas não se irrite e tenha controlo dos seus rompantes, minha linda. Afinal, como blogueira, precisa ter nervos de aço...pelas razões óbvias.
Pura eu disse…
Irritada, eu!? É habitual as suas incursões anónimas neste espaço (nunca se é tão anónimo assim!) o que me deixa prevenida. Citei os blogs que completaram dois anos por esses dias. Leu bem? Não quis eleger nem nomear ninguém.
Anónimo disse…
kusas ka stau muito sábe...
"pura eu"...di pureza bu ka tem nada.
narjara disse…
maravilha. e faço das suas palavras as minhas!
apareça!!
Anónimo disse…
Desmistificar psedointelectuais é a minha missão. Lantuna, Albatroz e Os Momentos são casos típicos de livrescos, sem muito fundamento e propósito.É preciso ir mais além, minha filha. Quanto à sua (im) pureza, ela não me interessa mesmo nada. Agora, tenha modos, menina. Seja mais humilde na vida.
Anónimo disse…
Ca bô perdê bo cool, menina. Abô lará, abô bsuuu...

Tchá conticê, munde é grande.

Bijim
Vladimir disse…
Margarida,
Puxa, tenho estado ausente de tão ocupado, e agora vejo como você anda inspirada e escrevendo bastante... Que bom, tenho certeza que suas palavras fazem bem a muita gente como eu!
Gostei muito do comentário separando a dor em face e alma. Às vezes, sou pretensioso em achar que tenho a dor dentro de mim, quando meu contato com ela é muito mais superficial do que eu possa imaginar.
Bjs

Mensagens populares deste blogue

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945