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Do crioulo aos radicais árabes

Olhares




















1. Terminou, ontem, na Cidade da Praia, o fórum sobre a língua cabo-verdiana que juntou linguistas fundadores do ALUPEC (Alfabeto Unificado para a escrita do cabo-verdiano), professores e escritores usuários do crioulo. Sabe-se que a meta deste momento é a instrumentalização da língua cabo-verdiana no sentido da sua assumpção efectiva (nas escolas, repartições, comunicação social) e posterior oficialização. Nessa linha, o fórum trabalhou sobre os avanços e os problemas encontrados na aplicação do ALUPEC. A variante a adoptar virá naturalmente, e já faltou mais. Para já, uma notícia se impõe, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, adoptou-se o ensino do crioulo de Cabo Verde (vide o nº de cabo-verdianos residente na América).

2. Assistindo ontem ao Telejornal da RTP chamou-me atenção o número de reportagens em áreas diversas dando conta das consequências da crise que assola a economia mundial: Instituições de caridade que recebem menos donativos, casos de vandalismo que aumentaram, Ministro das Finanças de Portugal a exigir aos bancos a cumprirem a suas obrigações cedendo crédito às empresas. Todos os dias notícias dão conta do encerramento de várias empresas em todo o mundo. Na nossa economia periférica, pelos vistos, as coisas ocorrem de forma inversa, pelo menos, a crer nos discursos que diariamente chegam às nossas casas.

3. Os radicais árabes congratulam-se com o “gesto” do jornalista que atirou sapatos ao presidente dos Estados Unidos George W. Bush, e exigem a sua rápida libertação. Pela distância simbólica que se me coloca a mim e a muitos de nós, só nos resta apreciar (no sentido pedagógico do termo) a “bravura” desses homens.

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