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O crioulo: da diversidade à oficialização

Magrite

























Até hoje me lembro da expressão de estranheza de uma prima badia,
quando ouviu, pela primeira vez, de mim a palavra "karabon" na variante do crioulo do Fogo: carvão em português, e "karvon" ou "karbon" na variante de Santiago. E de forma recorrente ocorrem-me palavras absolutamente típicas, senão "endógenas", que evidenciam a peculiaridade do crioulo falado no Fogo. Mário Fonseca disse há dias, numa mesa informal, que o crioulo do Fogo é tão duro, a ponto de os foguenses optarem por falar português, mormente em locais públicos, como forma de esquivar a essa "dureza". Não concordei e nem concordo com tal afirmação, mas admito que tenhamos saídas absolutamente únicas no nosso crioulo. Há dias na zona de Ponta Verde, no Fogo, ouvi com satisfação a palavra "paranpôbu" (parasita) e ocorre-me aqui "djongôtô" (de cócoras). O geógrafo José Maria Semedo escreveu que a Ilha do Fogo é uma extensão rural de Santiago, e é uma tendência, de facto, que se verifica muito na língua. Existem imensas similitudes entre o "crioulo fundo" de Santiago, (entenda-se rural), e o crioulo do Fogo falado pelos residentes que não estiveram expostos a influências de outras variantes ou de línguas outras. É o crioulo tão vernacular quão veicular que nos importa, hoje como nunca, acariciar, proteger e promover – e porque não? -, numa oficialização que respeite a diversidade e a riqueza deste elemento cultural que marca a Nação Cabo-verdiana, desde o século XVI.

imagem: magrite

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