Avançar para o conteúdo principal

Novas do poeta

Luis Romano













O confrade do blog Djaroz trouxe vivas notícias de Luis Romano da Cidade de Natal, no Brasil, onde o poeta de S. Antão reside há várias décadas. O encontro aconteceu a 10 de Julho passado, dois dias depois dos órgãos digitais cabo-verdianos "anunciarem a morte" do escritor, (notícia retomada por alguns digitais internacionais) seguido de "sentidas condolências" do Ministério da Cultura.

Djoy Amado relata que ficaram "espantados com este senhor de 87 anos, cuja aparência física debilitada contrasta em absoluto com a vivacidade e a lucidez da alma”. Acrescenta que “mandou vir grogue e, contrariando recomendações médicas, não resistiu em deixar-se levar à sua terra natal (Santo Antão) pelo gosto da cana misturada com ervas”.

Como dissera numa entrevista de há dois anos, marcaram a sua formação literária e humana, “o espectáculo de ver compatrícios morrer à fome, sem revolta, esperando pelas chuvas resignadamente, num fatalismo passivo e revoltante, ao desamparo.” Palavras indeléveis que, de resto, imortalizam a sua obra primeira Famintos (1962).

(…)

Navio-berço de menino crioulo
navio-guia que ficou sem ir
“navio idêntico ao navio da nossa derrota parada”.

Clima (1963)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945