Avançar para o conteúdo principal

Se Oriente

Humberto e Mário Évora






















Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação

Gilberto Gil. Oriente

Os detalhes têm força quando nos conseguem desviar do genérico... assim penso e, partindo de um pequeno detalhe, esboço estas curtas linhas sobre a comunidade cabo-verdiana em Macau.
É tocante deambular por Macau acompanhada por um ou dois cabo-verdianos e ter a sensação de que são conhecidos por muita gente. Uma terra minúscula com cerca de 28 quilómetros quadrados, no Extremo Oriente, mas que é um formigueiro de cerca de seiscentas mil pessoas entre residentes e turistas. O paradoxo da familiaridade, direi.

Os poucos mais de quarenta cabo-verdianos formam uma comunidade interessante e peculiar, porquanto estão nas mais diferentes esferas profissionais e encontram-se perfeitamente integrados. Ao contrário do que se poderia pensar, nem o factor língua e muito menos a cultura oriental criaram barreiras para essa gente que lá nos confins da China vive Cabo Verde da forma mais intensa possível. Fazem-no através da música, do incontornável crioulo, dos convívios, das pequenas histórias e lembranças.

Os cabo-verdianos, além de reconhecidos profissionais, ocupam cargos directivos em bancos, hospitais, e associações profissionais; alguns conciliam a carreira profissional com a docência universitária. Na TDM (Teledifusão de Macau) o jornalista Jorge Silva, nascido na Praia, apresenta o jornal das 8: 30 e coordena a redacção, e na política temos o cardiologista Mário Évora, (foto, à direita) filho de cabo-verdianos nascido em Macau, a integrar uma das listas que irá concorrer para o próximo pleito eleitoral.

Os primeiros cabo-verdianos foram para Macau nos anos 40/50 na qualidade de funcionários públicos. Alguns ficaram por lá e constituíram famílias, (hoje é uma realidade a segunda geração de cabo-verdianos em Macau). Mais recentemente, alguns estudantes universitários aumentam o contingente da comunidade crioula. Em sentido literal do termo. “Orientam-se” em Macau e por lá ficam radicados. Pela simples razão de que tudo depende
De determinação…


Estas histórias, muitas das quais de sucesso, serão contadas em primeira pessoa num especial documentário sobre os Cabo-verdianos em Macau, brevemente na Televisão de Cabo Verde.

Foto: Humberto e Mário Évora

Comentários

Katia disse…
Muito interessante. Realmente é caso para dizer "até na lua há cabo-verdianos" ;) Tenho pena de não poder ver o programa para conhecer mais esta "ilha exterior" de Cabo Verde.

Bjs,
Katy
Pura eu disse…
Oi, Katy! De repente cai-te a sorte e vês o programa numa das passagens por cá.
Bjs
M.

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

“Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…