3 de maio de 2007

Sobre a música

ExampleNotícias que fazem história (A música de Cabo Verde pela imprensa ao longo do século XX) é o título do mais recente livro da jornalista e investigadora, Gláucia Nogueira, a ser lançado hoje.
A obra resulta de uma compilação de textos publicados em jornais cabo-verdianos, entre 2002 e 2006. Os personagens da música, os avanços tecnológicos, e alguns momentos áureos da música nestas ilhas enformam o trabalho que resulta de uma longa investigação da autora, no âmbito do projecto Dicionário dos Personagens da Música Cabo-verdiana, na forja.
As notas do jornal Noticias de Cabo Verde que dão conta em Julho de 1931 e Junho de 1933 dos lançamentos dos primeiros discos em Cabo-Verde, ou a informação que dá a conhecer o primeiro autor (Jacinto Estrela) de fotografias publicadas num jornal de Cabo Verde são algumas curiosidades que ilustram a importância desse livro.
O fenómeno dos festivais, as relações de Cabo Verde com o Brasil, e o percurso das bandas e de alguns símbolos da nossa música podem, também, ser melhor compreendidos depois da leitura da obra.
Outra nota, vai para a escrita respirável da autora que, com rigor, urde, em perspectiva musical, uma importante parcela da história de Cabo Verde.
O livro será apresentado, às 18:30, no Auditório da Garantia (entidade patrocinadora) pela Historiadora, Zelinda Cohen.
Gláucia Nogueira é brasileira e exerce o jornalismo desde a década de 80, com forte incidência no domínio cultural. Na década de 90, inicia um aturado trabalho de investigação sobre a música cabo-verdiana, nas suas múltiplas vertentes. Paralelamente a isso, a Jornalista é estudante de Antropologia e acaba de integrar a equipa da Universidade de Cabo Verde na qualidade de Assessora para a Imprensa.

27 de abril de 2007

Esperemos

Há momentos sem sentido que fazem todo o sentido. Nessas horas, leio o meu outro poeta:
Há OUTROS DIAS que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias e das oficinas
- há fábricas de dias que virão

Pablo Neruda

25 de abril de 2007

De tudo

Não falo dos versos... só depois... depois de tudo.

Blog

Nos últimos dias andei um pouco distante da net por razões várias. Para começar, a conexão está lentíssima em Cabo Verde por causa do corte do tal cabo. À par disso, outros afazeres têem-me consumido energias saudáveis de que preciso para aqui estar por inteira. Nessa distância veio-me à lembrança as trocas de ideias muito participadas que aconteceram por uns bons tempos entre blogueiros, principalmente os de cá. Alguns anónimos, outros não, o famoso Pasqualino Settebellezze (de quem confesso saudades), e muitos outros. Este meu desabafo pode ser entendido como um convite à retoma da partilha e à troca saudável de ideias (dissonantes, porque não!?). Se criamos um blog é porque nos motiva, nos dá gozo e temos algo a dizer.

Eco

Porque o silêncio e a calma das horas solitárias
da noute sem vento e do mar sem ondas
como que fazem despertar
no fundo do meu ser
o eco silencioso
de vozes suspensas
e de aflicões esquecidas

Jorge Barbosa

12 de abril de 2007

Desolação


Em Outubro do ano passado conheci a italiana Laura Spronacci e encantou-me a sua paixão por Cabo Verde. Era uma jornalista com longa experiência na área desportiva, e fez toda a sua carreira na televisão. Enquanto tal vinha com frequência a Cabo Verde.
Dizia que a sua paixão por estas ilhas nasceu num primeiro olhar. Depois de reformada fez as suas malas e veio.

Conheci-a numa festa na sua Gruta - um empreendimento ousado e funcional erguido na Cidade Velha. Depois desse dia escrevi este post. Não quis acreditar quando li aqui a notícia da sua morte. Hoje, recebo um comentário de Kidjak a querer esclarecer a dúvida. É sim, trata-se da mesma pessoa: Laura Spronacci. Que a sua alma descanse em paz. Mais não digo...

11 de abril de 2007

Reminiscências


foto daqui
Choca-me a notícia da chegada de mais uma embarcação clandestina às ilhas Canárias, cheia de africanos, inclusive mulheres e crianças. Esse facto faz-me lembrar a escravatura. A empreitada mais desumana que o mundo já assistiu, e que deveria ser considerada a maior vergonha mundial de todos os tempos.
Ainda hoje, esses barcos negreiros continuam a circular. Os seus capitães e passageiros são interceptados em alto mar. Tal gente nem chega a conquistar o que há cinco séculos foi possível: um porto.
Há coisas que chocam. Parafraseado uma ilustre caseira, “preciso descobrir o que me liga à escravatura”.

A ilha

Aproxima-se mais um 1º de Maio, data, para mim, mais do que dia dos trabalhadores, mas do padroeiro da cidade que me viu nascer. Assistir à missa e à corrida de cavalos eram as únicas actividades que, enquanto criança, estavam ao meu alcance. Lembro-me da festa que era a chegada de gente da Praia, e principalmente dos grupos musicais, ora Gama 80, ora Bulimundo, ora Finaçon.
Outra novidade eram os famosos “carros gaiola” para prender “piratas” que chegavam da Praia, acompanhados de reforço policial. A chegada dos cavalos, principalmente de Santo Antão e S.Vicente, igualmente fazia parte da movimentação de San Filipe. A dinâmica das barracas nas feiras era diferente, mais saudável e mais festiva. Lembro-me de padres a venderem nas barracas das Cáritas. Hoje, não consigo imaginar um padre nos bailes do Presídio.
A idade não me permite muitas ginásticas remanescentes, mas lembro-me do almoço no Instituto da Solidariedade e da movimentação, verdadeiramente popular, que ali se dava.
Depois de 91, tudo mudou. Pela primeira vez, nesse ano, dois grupos musicais se deslocaram ao Fogo e num acto insólito aconteceram duas feiras - uma do MPD na praça do Presídio e outra do PAICV no Instituto. Era o que se dizia à boca pequena e o alinhamento dos militantes e simpatizantes veio a comprovar isso.
Nos anos seguintes, as feiras duplas não se repetiram, mas nada ficou como dantes. Estranhamente, as conhecidas vozes do Movimento para a Democracia na Ilha, deixaram de participar nas Festas de S.Filipe. Depois de alguns anos de ausência, passei a frequentar com alguma assiduidade à Bandeira, e constactei a continuada descaracterização. Reparei também que são poucos os residentes que participam no almoço do grande dia, uma festa só para convidados. A bandeira de S.Filipe nasceu numa sociedade escravocrata e fortemente desigual. Factos que não podem ser perpetuados, em nome da tradição. Ninguém deve sentir-se dono da Bandeira de S.Filipe, e nem à margem dessa festa que é de todos nós.
1º de Maio é uma data que interpela a todos os filhos do Fogo. E, por arrastamento, a todos os cabo-verdianos.

27 de março de 2007

O silêncio dos "nossos" inocentes


Assisti, domingo, acidentalmente, ao último episódio do programa "Grandes Portugueses" exibido há seis meses pela RTP. Retive duas frases particularmente fortes, ditas por duas participantes: "De facto, não é fácil ser-se Fernando Pessoa no país do Salazar" (apoiante de Pessoa), e "Este programa é um branqueamento do fascismo" (apoiante de Álvaro Cunhal).
Ao ver o programa lembrei da luta do meu amigo Fernando Conceição, no Brasil, a reivindicar uma indemnização para os afro-descendentes brasileiros. O mesmo solicitava também a redenção de Portugal e do Brasil, mercê da escravatura. É com tristeza que constatei como se torna cada vez mais utópica a luta do Fernando. Entrementes, a vítimas do Holocausto nazi têm sido indemnizados…
Foi um programa tenebroso, do meu ponto de vista, com António Oliveira Salazar a ser eleito o maior português de todos os tempos, numa final onde figuravam nomes como Vasco da Gama, Marquês de Pombal, Luís de Camões, Fernando pessoa, entre outros. E no fim do grande espectáculo é a insistência de todos, inclusive da apresentadora, a fazer crer aos telespectadores que aquilo não passava de um concurso...e que por isso mesmo não devia ser levado muito a sério.
Todavia, a simbólica vitória do Salazar vem consagrar, como foi dito no programa, todas as atrocidades cometidas por esse homem e a engrenagem por ele criada. E despreza por completo o processo histórico dos povos, inclusive o nosso, contra o autoritarismo fascista e colonial. Mesmo minimizando a consciencialização crítica dos votantes, pela cultura política pimba e ignorante, a atitude dessa televisão pública não passou de uma afronta aos valores da Democracia e dos Direitos Humanos. E o mais arrepiante, para mim, foi a forma leviana e apressada como trataram, alguns temas, como a escravatura, por exemplo, no decurso do referido programa.
Curiosamente esta Televisão, por razões que um dia alguém há de explicar, funciona em canal aberto nas ditas ex-colónias portuguesas, de que Cabo Verde faz parte, para o gáudio de alguns neocolonizados locais. O pior para mim, e para isso também deveria servir a soberania deste país, foi saber que esse massacre ideológico esteve a um clic de todos.
A RTP África, que de África só tem nome e intenção alienante, é o canal com maior poder em Cabo-Verde, emite programas, a seu critério, 24 horas por dia. Para quem não sabe, a Televisão Nacional emite apenas seis horas por dia e dificilmente consegue sustentar uma grelha de produção nacional com consistência e longevidade.
A Comunicação social, debatida nesta sessão parlamentar, a pedido do maior partido da oposição, comportaria uma análise séria e alargada dos canais abertos estrangeiros. Uns a impor Salazar, outros a passar igrejas escusas. Entretanto, temos assistido ao mais do mesmo, com as duas bancadas parlamentares a passarem ao largo das grandes invasões televisivas.
Noam Chomsky e Pierre Bourdieu escreveram sobre tais perigos. Por cá, o silêncio dos "nossos" inocentes. Nunca saberemos se por falta de faro ou de vontade política…

Jardim


...
Sinto, quando me dás
tua mãos, como se um limo
que rouba sol à água,
manchasse meu espírito.

Sentes, quando te dou
minha mão, como se um vivo
rio de claridades
limpasse teu espírito?

Juan Ramón Jimenez

13 de março de 2007

Nação Crioula

A Globalização colocou em crítica e em crise o modelo de Estado-Nação. Um pouco por todo o lado, o debate sobre a ideia da Nação e seus conceitos derivados, tais como nacionalidade, identidade nacional, nacionalismo e etc, tem vindo a ganhar ímpeto e impulso. As nações saídas de um colonialismo recente precisam deste debate. O facto de terem passado por experiências traumáticas, como a escravatura e a fome, torna imperiosa tal catarse. E as nações crioulas, oriundas da mestiçagem racial e étnica, não se podem furtar à busca incessante das suas componentes, em prol de uma sublimação de traumas e fantasmas. Entre nós, o debate sempre existiu, algumas vezes de forma espontânea, outras vezes de forma organizada, mas nunca de jeito desinteressado. A busca da nação crioula, perdida quem sabe nos meandros do nosso inconsciente colectivo, tem suscitado muita tensão entre os nossos intelectuais.
Li, com interesse, a reacção crítica do Combatente da Liberdade da Pátria, Carlos Reis, sobre o livro "Em Busca da NAÇÃO notas para uma reinterpretação do Cabo Verde crioulo", do investigador Gabriel Fernandes. O texto de Reis procurava desmontar e contrariar as teses de Fernandes sobre o movimento nacionalista e a própria luta de libertação nacional, liderada por Amílcar Cabral. Este contrapôs com um artigo "demolidor", cáustico e intolerante. Em boa verdade, não entro no mérito do debate, nem faço resenha crítica sobre a obra em questão, merecedora do Prémio Cidade Velha, que tive o gosto de ler.
Ao tentar apresentar uma re-leitura sobre a "Geração de Cabral", trazendo novos dados e novas leituras, Carlos Reis extrapola na afirmação que "a expectativa de tratamento científico da revisita à questão nacionalista cabo-verdiana no âmbito da luta e, desde logo, um tratamento pautando-se essencialmente por parâmetros de isenção e a objectividade possível, acabou por sucumbir perante a tentação de emprestar chancela académica a teses partidárias facilmente contrariadas por factos indesmentíveis".
Há nestas palavras um tom ressentido - se calhar, por ter sido um dos sujeitos dessa saga nacionalista. Carlos Reis tem legitimidade e pergaminhos para teses sobre o processo histórico e sociológico contemporâneo em Cabo-Verde, mas, no caso, devia prescindir de certas emoções.
E a resposta de Gabriel Fernandes alinhou pelo mesmo diapasão e chocou a muitos que esperavam do autor um "banho académico". O sociólogo, para além de responder violentamente à carta de Reis, deixou claro que quem não detém o título de Doutor não está autorizado para falar da sua tese, e nem terá capacidades de a entender. Este "statement" desencorajou qualquer resenha jornalística sobre a obra, por exemplo. O mesmo contraria a posição do prefaciador do livro que afirma claramente que "Esse cuidado de restaurador, ao construir histórias e trajectórias, confere consistência e vida aos contextos estudados por Gabriel Fernandes, tornando a leitura proveitosa e estimulante mesmo para o público não académico." O investigador contraria o seu prefaciador numa única frase da sua carta/resposta: "Habituado que está a ler manuais sob medida, não lhe exijo que compreenda uma tese feita para ser lida por especialistas".

Será que ao público não académico ficou vedado a apreciação da obra em apreço? Terão os doutos, de voz mais académica, os únicos autorizados a buscar a Nação? A existência de sérias rupturas sobre as especificidades e o percurso da nação cabo-verdiana, bem como a necessidade urgente de mais ambiente académico (não desvinculado da pedagogia), onde impere a crítica e o debate descomplexado são as minhas certezas sobre o tempo em que vivemos. Com devido respeito pelos debatedores, diria que, em democracia, nem os juízes estão imunes a juízos dos mais simples cidadãos. Os cientistas tampouco...

Aly Keita e CCF



Certamente que muitos se lembram do balafon desse senhor. Ali Keita participou no Fesquintal de Jazz, na Cidade da Praia, em 2002. Hoje à noite actua no Tabanka Mar ao lado do saxofonista francês, Vincent Mascart, e do baterista argelino, Karim Ziad. É mais um griot (contador de histórias), desta feita da Costa do Marfim, que se associa, assim, ao Jazz na Cidade. Um evento de grande valor que o Centro Cultural Francês promove quinzenalmente há quase um ano. Na semana passada, numa parceria entre o CCF e o Festival Março mês de teatro assistiu-se, na Praia e no Mindelo, ao memorável show de um outro griot senegalês, Ablayé Cissoko. Esses dois músicos que entoam histórias e lendas fazem parte de um claro movimento de resgate e reelaboração de ritmos tradicionais africanos, visível na última década.

Não seria inoportuno destacar aqui o papel definidor da agenda cultural da capital, assumido, paulatinamente, pelo Centro Cultural Francês (CCF), com o merecido mérito para o seu director, David Fajolles. Para além de trazer artistas de fora, o CCF promove espectáculos de grupos nacionais, muitas vezes em parceria com o Tabanka Mar, o Palácio da Cultura Ildo Lobo, e o Centro Cultural Português. Aliás, esse intercâmbio é outra novidade dessa direcção, já que anteriormente havia uma fraca colaboração entre os centros culturais.

CCF continua a ser o único point cultural desta cidade, cuja agenda se destaca pela sua fidelidade e diversidade. Na semana passada promoveu também uma exposição-venda de bijuteria tuareg do artesão do Niger, Alhassane Atti.

12 de março de 2007

Da escravatura



(…)

Por quê, de todos os países implicados na venda de carne humana – a exemplo da Inglaterra, da França, da Holanda, da Espanha e mesmo Estados Unidos da América -, Brasil e a sua contraparte, Portugal, são os mais recalcitrantes no aceite à sua culpa, não apenas moral mas econômica, sobre as condições miseráveis impostas aos afro-brasileiros? Será por que as elites de mando nesses países, e particularmente no Brasil, trabalham com a hipótese da amnésia como componente fulcral da memória histórica que marca a nossa trajetória social?

Passa da hora de o país que até por volta de 1880 mais importou e se utilizou do comércio e da mão-de-obra escravas da África para se constituir como Estado (Brasil, hoje uma das mais importantes economias emergentes do mundo capitalista), ser chamado à responsabilidade de que tanto se esquiva. Acionar nos tribunais locais e cortes internacionais tanto o Brasil quanto Portugal, inclusive setores econômicos privados e públicos herdeiros do tráfico, exigindo indenização material (inclusive em dinheiro) para os afrodescendentes, é meta que neste ano de 2007 pretendemos atingir, retomando uma luta iniciada em 1993.

Para isso estamos montando o comitê Reparação é Justiça Brasil (RJB), buscando apoios internos e no exterior. Devemos, como primeiro passo, articular um bate-papo entre os interessados no debate, a ser realizado até o final de abril de 2007 na cidade de São Paulo. Adesões e contribuições, de todas as cores e credos, evidentemente são bem-vindas! Tal debate somente será possível com a conjugação de todos e todas as forças interessadas.

Fernando Conceição*,
março 2007.

* Professor na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia - Brasil

9 de março de 2007

Soncent... de tudo um pouco


São Vicente vive um momento interessante. Quase um revivalismo claridoso, embora hoje em dia a dinâmica cultural, mesmo aquela cosmopolita, se tornou multi cêntrica. A cidade do Mindelo, graças ao frisson do teatro em Março, obriga a um olhar curioso e crítico. Para além do Carnaval e do Festival da Baía das Gatas, o Mindelact é outra actividade que lhe adiciona selo de qualidade e toda a agitação inerente. O resto, são os ateliers dos artistas plásticos, os bares com música ao vivo e a convivialidade dos encontros na praça, aspectos que se transformaram no pitoresco do Mindelo. E, a par da pequena grandeza desta linda cidade, a grande riola do meio afinal pequeno, onde não faltam manifestações de bairrismo, ressentimento e saudosismo…
Um encontro promovido, esta semana, pela sociedade civil local agitou os ânimos, tendo como a bandeira a necessidade de preservação do património. Por cá se discute…
Não se fala de outra coisa, que não os artigos de Abrãao Vicente, artista plástico de Santiago, sobre o Carnaval Mindelense. Entretanto, meio anonimamente um artista local assume que Abraão Vicente é dos poucos que escrevem de forma respirável, mesmo que dele se discorde. Paradoxal e interessante…cosmopolitismo oblige.

1 de março de 2007

Simpósio

Em virtude da colisão das datas do Centenário do nascimento de Baltazar Lopes, em S.Nicolau, e do Simpósio sobre a Geração do Movimento Claridoso, na Praia, a realização deste foi transferida para os dias 27, 28 e 29 de Abril.

Tensão na Cultura

ExampleAlguns ruídos, aqui e acolá, revelam tensões e conflitos no sector da Cultura. Refiro-me ao sector público da Cultura, pois o campo cultural, dinâmico como é, revela-se saudavelmente conflitual. A polémica em torno da realização de um Seminário sobre a Claridade na Praia instalou-se nos últimos dias. Artigos de jornais, conferências de imprensa e bocas pelos bares da vida. Uns contra. Outros a favor. Há também os indiferentes, onde me incluo.
Antes desta última polémica, o edil de São Nicolau chamara atenção, com alguma propriedade, sobre a colisão das datas. Parece ter havido conciliação, pois consta que o Simpósio da Praia foi escalonado para fins de Abril e o dia do centenário de Baltasar Lopes será festejado na sua ilha natal. O que parece ter ficado em aberto foi a polémica entre Tito Paris e Manuel Veiga. O Ministro da Cultura não deveria ter escrito aquele artigo resposta. Fazê-lo não é bem a função do Ministro, quando tem um Gabinete para prestar certos esclarecimentos na imprensa. Cada coisa no seu lugar, convenhamos. Mas aquela restituição do cheque, em parangonas de imprensa, também não lembrava ao diabo. Nem parece do Tito Paris, a voz que tão bem entoa “dança ma mi criola”.
O mais caricato terá sido a cerimónia da entrega do prémio no Carnaval mindelense. O Ministro foi impedido de entregar o 1º Prémio pela edilidade local.
Algumas birras pairam no ar, se calhar fruto de frustrações e algumas expectativas criadas. É que o Ministro da Cultura se ausentara por meio ano, por motivo de doença. Pedira até demissão… Nesse meio tempo, as especulações correram à solta e surgiram vários ministeriáveis para o substituir. Alguns com alguma lógica. Outros sem lógica nenhuma. Mas no fim, o Ministro reapareceu, disposto a continuar.
Segundo depreendo (posso estar errada), a celebração nacional da geração claridosa, a oficialização da língua cabo-verdiana, Cidade Velha a património universal, por incrível que pareça, ainda incomodam por cá. E o resto, a novela de sempre …