Tenho uma disposição particular para momentos e atitudes que emergem de encontros. Nesse bojo entram as artes, nas suas múltiplas manifestações, a cultura, em si como matriz identitária, e outras confluências.
Neste momento, percebe-se que a música de Cabo Verde tem sido a variante mais utilizada para a universalização da "coisa" cabo-verdiana. O disco Das Ilhas Mestiças do bandolinista brasileiro Rodrigo Lessa, é exemplo disso. São treze sons musicados num espírito eminentemente marítimo, porque nos transporta de Cabo Verde, mais precisamente do Calango Mindelo (a primeira faixa do disco) para o Brasil, de onde seguimos viagem para Cuba e Caribe.
No disco, Lessa legitima esse diálogo cultural com motivos históricos que, como sabemos, fazem de nós “seres atlânticos”. Um mundo com suas "afinidades e diferenças".
O disco contou com a participação dos cabo-verdianos Toy Vieira e Vaiss. A brisa caribenha do disco surge do trompetista cubano Júlio Padron. E nunca é demais acrescentar que Das Ilhas Mestiças contou com a participação especial de João Donato, o homem d´a paz.*
...A paz fez o mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós...
* João Donato escreveu essa canção em parceria com Gilberto Gil e este interpretou-a maravilhosamente.
Comentários
É uma obra que vai valer sempre. Uma reliquia de inspiração multicultural.
Djinho Barbosa
Beijinhos também foguenses
Um grande abraço para uma amiga do Fogo.
Ema, um obrigadu di tamanhu Tongom…
Também eu vou adicionar o teu ilhadofogo no meu blog.
Beijos vulcânicos