Avançar para o conteúdo principal

Anthony Hopkins

Zé Cunha, ao comentar o post sobre Spacey, fez uma acertada referência ao Anthony Hopkins, e senti tentada a acrescentar algo mais, chamando à cena esses dois actores, pela sua intensidade dramática como vilão.

Existem similitudes entre Spacey e Hopkins, e cada um se afirma em cenários diferentes. Kevin Spacey actua com discrição, (ao mesmo tempo com expressividade) e não é propriamente um homem de grandes embates. Um excelente coadjuvante, e pelo que se percebe, tanto ele, quanto os directores sabem disso, e enquadram com competência o facto.

Hopkins consegue ser um extremoso psicopata, bastante expressivo e dominador. Tanto assim é, que já esteve, variadíssimas vezes, na pele de grandes nomes da humanidade: Nixon, Picasso, Adolf Hitler, Charles Dickens …
Mas uma coisa é certa, tal como Anthony Perkins (Psico, 1960) e Malcolm McDowell (Laranja Mecânica, 1971), Anthony Hopkins será para o cinema um eterno psicopata, o que compromete, acho, a sua actuação em outros papéis (da perspectiva de quem o assisti, apenas).

Comentários

Alex disse…
Viva
Os dois actores têm muitas coisas em comum como ambos referimos.
No outro Post eu tentei sublinhar uma forma de interpretar que fez escola nos filmes dramáticos, cuja linhagem vem de muito atrás, e que estes actores representam dois momentos altos (e próximos). Fui buscar os outros dois exemplos (Perkins e McDowell) pela negativa, dois grandessíssimos papéis, cuja carreira terminou no momento em que as duas referidas actuações se tornaram maiores do que eles próprios, de tal forma a carreira deles se confunde com aqueles papéis, o que é raro. Com Spacey e Hopkins tal não aconteceu, creio eu por dois motivos: 1º porque já estavam avisados desse risco, logo são ambos devedores dos actores de Psico e Laranja Mecânica; 2º porque ambos começam e cimentam a sua qualidade de actores no Teatro (o que dá outra preparação).
Até aqui tudo bem. Já não concordo contigo na conclusão que tiras quanto à carreira do Hopkin's, e à associação que fazes dele a papéis de psicopata. Ou então percebi mal a tua ideia. Discordo pelo seguinte. Creio que ele é muito mais versátil do que o Spacey. Dou dois exemplos de papéis em que tenho dificuldade em ver o Kevin S. assegurar com o mesmo à vontade: Howards End e The Remains of the Day, ambos do J. Ivory. Versatilidade que também se lhe reconhece em papéis históricos tão diferentes (nem todos de psicopatas).
Com isto quero dizer que, quanto a mim, o KS é muito mais previsível como actor do que AH.
Gosto de ambos, como é óbvio. Mas Hopkins para mim tem um lugar muito especial. Deslumbrou-me mais vezes do que KS.
Forte Abç
ZCunha
Anónimo disse…
Zé Cunha,
Concordo, em pleno, contigo, na avaliação que fazes do S. e do H. O exercício comparativo que fizemos aqui, interessante, diga-se de passagem, cingiu-se aos papéis de vilão/psicopata desses dois actores. E é claro que em outras escalas não faria, de modo algum, comparações entre Spacey e Hopkins. Spacey não seria nunca um James Stevens. É uma outra história… Hopkins é versátil, completamente, e extraordinário. Entretanto, da perspectiva de quem o assiste (hoje) poderá existir uma incessante ou ténue ligação aos seus papéis de “psicopata”. Uma leitura muito pessoal.
Por exemplo: uma das actuações mais inesquecíveis de que tenho memória foi Hopkins na pele do mordomo James de J. Ivory. Marca, simplesmente, assim como as suas actuações em filmes históricos.

Um abraço

Margarida
Alex disse…
Volto ao local do crime. Há algo nestas duas escolas (a Americana e a Inglesa) de profundamente distinto. Algo que as separa de uma forma tão nítida, que seria um a pena não o referir. Do que tenho visto no cinema, creio que só os Russos se aproximam desse trabalho fundamental, que nenhuma apologia da imagem e dos efeitos pode disfarçar ou anular.
A escola da VOZ. A dicção. Na Escola Inglesa (e em parte na Russa - lembro-me dos filmes do Tarkovsky) mais do que ler textos, e dizer com profissionalismo e eficácia as falas, é o ACCENT, a pronúncia, a ênfase, a expressão, a entoação, que os torna únicos. Não sei se contigo já aconteceu, mas já dei comigo muitas vezes de olhos fechados a "comer", a saborear, a tactera com os ouvidos aquele grão de voz inconfundível dos actores britânicos. Arte de dizer, amor à palavra dita, uma festa, uma celebração do discurso.
Sem paralelo.
ZC
Pura eu disse…
O ACCENT cristalino e elaborado é notável nos filmes ingleses, principalmente naqueles de produção inglesa. Estou a lembrar-me aqui de alguns filmes do nosso já citado J. Ivory que é americano, mas só integra produções inglesas. Além da cultura do falar bem, vejo também nos filmes de produção britânica um cuidado notável com a cenografia... enfim, uma escola com as suas linhas bem distintas, e notáveis.

Abraços

Margarida

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…