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Piratas das Ilhas

Piratas






















Exportação de azeite falsificado para Cabo Verde faz dois arguidos em Portugal”. É triste ler esta notícia, muito triste, porque não fica pelo azeite. O problema não está na infracção que acontece a todo o lado com qualquer um, e que pode ser minimizado com mais controlo. O problema, sempre acho, está na cabeça e na atitude das autoridades cabo-verdianas. É só ver como grupos e indivíduos chegam a este país e tornam-se empresários de noite para o dia, quando se sabe que nos seus países, alguns, não passam de fugitivos da polícia. Alguns desses casos são noticiados na Imprensa, e os larápios continuam soltos e a aldrabar tudo e todos. Slavery mentality e os seus tentáculos…

Novos escribas

Tem sido notório e crescente, aqui e acolá, a multiplicação de artigos de jornais e posts na net de jornalistas que decidem vir a Cabo Verde tentar a sorte, e mais não fazem do que espartilhar o nome do país. Já tentei pensar que talvez seja isso fruto da juventude, gana de dizer, demonstração de bravura, ou alucinação… sim, porque alguns, nos seus países de origem, só tiveram a sorte de publicar em jornais dos corredores universitários.
Essa malta precisa trabalhar mais, despir-se de preconceitos e olhares outros, e entender Cabo Verde nas suas múltiplas nuances: um país que sobreviveu às secas, à fome, à miséria, à escravatura, à colonização: um grande país de brava gente! Sim, um país que padece de falhas, deficiências, várias, que está ainda a aprender muita coisa, mas caminha com cabeça erguida. Quando decidirem apontar os males, porque os há, chamem nomes aos bois, falem dos vossos patrões. Os “dons” que pagam os vossos chorudos salários.

Comentários

João Branco disse…
Desculpa, Margarida, mas não entendo este teu post, principalmente a última parte. Se calhar, devias colocar a questão de uma outra forma: é uma pena terem que ser umas jornalistas imberbes e inexperientes que vem para Cabo Verde tentar a sua sorte (depois de apenas conseguirem publicar em jornais universitários) a denunciar certas anormalidades, porque os que cá estão há muito tempo, não denunciam, por falta de vontade, coragem ou brio profissional.

Um comentário que me parece carregado com alguns laivos de protecionismo coorporativo e, o que é pior, de uma certa dose de preconceito.

Mas eu também sou daqueles que vim para cá tentar a minha sorte, portanto, se calhar mais valia estar calado.

Abraço do Mindelo
Anónimo disse…
ai aia ai ai...um blog q aprecio tanto...
tanto perconceito a servir de argumento para chamar outros de perconceituosos...
tristinho este post"novos escribas"
Pura eu disse…
Eu respeito os vossos comentários, sem retirar uma vírgula ao meu post.
Sem corporativismo, nem preconceito... apenas alguma dose de equilíbrio, entre mais ou menos verdades.


Abraços fraternos
Redy Wilson Lima disse…
Desculpa margarida mas o que acaba de escrever e de tamanha barbaridade, xenofobia e dor de cotovelo (e não estou a pôr a sua capacidade jornalistica em causa). Os jornalistas berdianos ( a maioria) é uma merda e sabes disso. A TCV é um exemplo como não se faz jornalismo e sabes também disso.
As boas jornalistas estrangeiras são bem vindas e a classe deveria reconhecer isso.
Quanto a dar o mau nome ao país eu sou um bom exemplo como fazé-lo se queres pôr as coisas nesse patamasr. Não abstante os muitos avanços, o país fede a nível social e tu como jornalista sabes mt bem disso.
João Pedro M. Ramos disse…
E tu redy?
O que é que já fizeste para melhorar alguma coisa que fede? (para além de mandar bitaites, claro!)

A dona do blog fala como alguém de uma classe que sente ofendida pelos comentários feitos, e é normal.

Muitos jornalistas não fazem o seu trabalho como deve ser. Obrigado. Não creio que a classe jornalística seja a única classe que também tem maus profissionais.. Fala-se da electra, dos funcionários da câmaras, de algumas obras não bem feitas, ou seja, de maus engenheiros arquitectos.
Mas isso não dá direito de se vir a enxovalhar uma classe, onde muitos também se esforçam, mostram trabalho.

Esperimenta que alguém faça o mesmo com alguma classe em Portugal e hás de ver como serão as reações..

gostei do post, e ainda bem que há alguém com eles no sítio para dizer alguma verdade.

e,
ao contrário do que se está conotar, não tem nada a ver com xenofobia..
Pura eu disse…
Redy, sinceramente, Xenofonia?? Dor de cotovelo??!
Ofender uma classe?! Nunca faria nada disso...
João Branco disse…
Margarida, registo, com apreço, a forma civilizada como publicas e comentas os comentários a este post. Devo dizer que seria bom, se estiveres para aí virada, de aprofundar um pouco o que só pela rama foi escrito, porque pode ser que muita gente boa, que de certa forma se sentiu ofendida, e assume, pelo que nos tem habituado, a surpresa, não tenha entendido o que quiseste dizer quando escreves o que escreves da forma que escreves.

Quem sabe não sai daqui um debate em que todos saiamos a ganhar?

Abraço do Mindelo
Redy Wilson Lima disse…
Caro João Pedro, O que eu fiz para melhorar o que fede? Não sou político, sou sociólogo e como sociólogo estuto e denuncio aquilo que fede e depois mostro as medidas aos políticos para agirem. É assim que tento melhorar o cheiro que fede e muito.
Tenho vários projectos na manga para denunciar muitas situações que as pessoas querem esconder e alguns desses projectos passa pela TV.
É verdade que há muitos jornalistas que trabalham sério e merecem o meu respeito, mas convenhamos, uma boa parte nem deveria se intitular de jornalistas. Digo o mesmo de alguns funcionários das instituições que refere.
Muitos jornalistas estrangeiros vem para cá trabalhar e deveriam ser vistos como uma mais valia, e o dever do jornalista é denunciar situações injustas, não esconde-las com a ideia de se estar a dar má imagem do país. As verdades caro João são outras, não estas. Porque é que não se tem a coragem de criticar alguns colegas berdianos e busca-se o bode expiatório em estrangeiros? No entanto, foi um choque qd a líder do PSD disse o que disse dos cabo-verdianos. Onde está a diferença? Trabalham mas é mais e mostram criatividade e qualidade. É só o que peço.
Rui Almeida Santos disse…
Há jogadores que preferem jogar em Angola, onde são estrelas, do que jogar em ligas mais competitivas, como as europeias, onde ganham mais mas têm menor visibilidade.

Há ppl que vêm pra cá p isso, ganhar umas massas e fazer outras coisas que o "anonimato" lhes permite.

Que venham abordar as coisas de forma diferente, com outro olhar e dizer algumas verdades. Muito bem. Mas que tenham capacidade de encaixe p ouvir algumas verdades tb.
A falta de vontade, brio profissional e coragem devolvo-os à procedência. Maus e bons profissionais os há em todo lado, alguns mais expostos k outros.

Isto n é uma terra de cegos e, muito menos, precisamos de zarolhos. E, desculpem lá, muitos n passam disso.

Os males k p cá há são próprios de um país de 3º mundo que somos e assumimos. Que os outros assumam a condição de menoridade no seu espaço e escusam de, sob a capa de kem veio p ajudar (há 500 anos foi p evangelizar, n foi?!), terem a pretensão de, qual varinha mágica, apontarem a solução p os nossos problemas.
Há um aproveitamento de ideias colonizadoras preconcebidas no subconsciente de todos para se impôr ou...tentar. Mas p cá há massa pensante. Muita até.

Agora invertam a coisa e digam o k daria isto noutras paragens. "Nem pa ka tenta".
O preconceito existe sim, mas muito mais do outro k deste lado.

N se pense k há qq coisa contra kem vem de fora, mto pelo contrário mas isto deve ser "piano piano".

Curioso é que a reacção, fora do blogg, veio de um lado.
A carapuça terá servido...
Francisco Cardoso disse…
Posso comentar?
Meio por acaso (através de outro blog) dei com este tema e interessei-me pela conversa, dado que sou jornalista, caboverdiano e a trabalhar fora do meu país...
Ou seja, estou na posição inversa daqueles que a autora do blog critica e outros falaram... Vivo numa terra onde dizem não existir real Democracia, a Madeira de Alberto João Jardim, como todos já devem ter ouvido falar...
Cheguei aqui há seis anos e meio, e desde o início trabalho como jornalista...com uma mão à frente e outra atrás (que é como quem diz, com um estágio curricular num jornal semanário local) fui me apercebendo de onde estava e do que estava em jogo nesta sociedade...e nestes anos NUNCA senti essa atitude que li nestes comentários por parte dos madeirenses, das fontes de informação, dos políticos ou dos empresários...
Se calhar falam por trás! Quem sabe, mas isso é problema deles...tenho o hábito de dizer que quem tem preconceitos com estrangeiros ou forasteiros, quem é racista tem um problema de mentalidade, então que o resolva...não serei eu, certamente, que me vou preocupar com isso!
E porquê?! Porque tenho algo que me faz um jornalista razoavelmente respeitado...INTEGRIDADE!
Confesso que há muitos jornalistas maus, ética e deontologicamente, interessados só em ganhar o seu e tirar o máximo proveito de uma profissão que, não sendo das melhores, até dá algum estatuto social. Mas também há os honestos.
Por isso acredito que não podemos meter todos no MESMO SACO... generalizar é ser injusto, é agir errado..."don't judge someone bye the color of his skin, but by the content of his caracter", dizia, mais ou menos isso, Martin Luther King. E tinha (tem) toda a razão!!!
Será que autora do blog não encontra um desses jornalistas que seja boa pessoa e esteja em Cabo Verde para trabalhar sério, procurando também uma oportunidade de vida numa terra que não é a sua e que no seu país não encontrou?! Temos o exemplo do primeiro 'comentarista'. É português mas já está há tantos anos na nossa terra, que ela também já é dele por direito....e pode falar com mais direito que muitos caboverdianos!

Cumprimentos do Funchal
Pura eu disse…
"Será que autora do blog não encontra um desses jornalistas que seja boa pessoa e esteja em Cabo Verde para trabalhar sério?"

A autora deste blog encontra, sim, e convive entusiasticamente com muitos desses profissionais.

Cump.

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