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Nova África: a oportunidade do discurso

José Maria Neves














José Maria Neves exibe a partir de agora mais um título: Doutor Honoris Causa pela Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro. Na TCV ouvimos do Reitor dessa Instituição que o fortalecimento da democracia cabo-verdiana deve muito ao trabalho do primeiro-ministro, "um seguidor de Amilcar Cabral". Neves, por sua vez, diz que Cabo Verde tem se despontado como uma nova África, mais promissora, onde a boa governação é uma premissa.

Bem ou mal, esse princípio se ramifica e vem ganhando consistência, e prova disso é o dito Reitor citando o discurso de Obama em Istambul, referindo a Cabo Verde como um exemplo extraordinário em África.

Mas numa coisa havemos de estar de acordo: durante algum tempo, a estabilidade e a democracia cabo-verdianas fez nascer em nós (mais uma vez) um discurso e por vezes a sensação de estarmos distantes da África, mais próximos do abstracto atlântico e da Macaronésia. Uma visão redutora que já não resulta, apesar da Parceria Especial com a União Europeia (que também se dá no âmbito da nova África).

Diante disso, ganha a oportunidade do discurso, até porque sabemos que as disputas, a nível interno, não dependerão desse emblema de "estabilidade e boa governação" que rende muito lá fora.

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