Avançar para o conteúdo principal

Mário Lúcio ganha "Prémio Carlos de Oliveira"

Mário Lúcio






















“A obra se distingue de todas as outras apresentadas a concurso”. Esta é a primeira nota da acta do júri em relação ao “Novíssimo Testamento”, romance do músico e escritor cabo-verdiano Mário Lúcio. O livro foi o vencedor do Prémio Carlos de Oliveira, destinado aos escritores em língua portuguesa, numa lista de 67 obras concorrentes. “Novíssimo Testamento” é uma fábula que nasce de uma revelação fotográfica, em que Jesus Cristo é uma mulher, e conhece assim novos desafios e provações.
O autor que recebeu a notícia do prémio com uma gargalhada disse que “nesse novo mundo, nessa nova era, Jesus após a ressurreição, no livro, é uma mulher, e isso coloca uma outra leitura do mundo, outras construções, outras imaginações..."

O País Santoral que é Cabo Verde é o palco do "Novíssimo Testamento" de Mário Lúcio. As ilhas de Santiago, São Vicente e Santa Luzia, e um apanhado das suas reminiscências perante Jesus Cristo dão o mote à obra.
Em S. Vicente onde tudo é levado a uma vivência mais divertida, Jesus se sente uma super star no Carnaval”. Ou em Santa Luzia onde Jesus faz a sua travessia do deserto e diz que “a única ilha com nome de mulher e nunca teve um filho nas suas entranhas”.

Um domínio da escrita “notável”, “uma poderosa efabulação”, “muito humor”, e um forte “domínio do religioso” são outros itens pontuados pelo júri. O romance de Mário Lúcio escrutina o Novo Testamento, numa perspectiva histórica, e explora todas as dúvidas pós ressurreição vividas por Jesus. Tudo isso, graças à tolerância do Cristianismo, disse-nos Mário Lúcio.
O valor do prémio literário Carlos de Oliveira é de 5.000 mil euros, e será suportado pela Câmara Municipal de Cantanhede, (Portugal) uma das promotoras do concurso ao lado da Fundação Carlos de Oliveira. A publicação da obra também será assegurada pela autarquia.

Infância

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.

Carlos de Oliveira, in 'Cantata'

bom fim-de-semana

Comentários

Tchale Figueira disse…
Parabens ao meu compadre Mário Lucio. O livro já deu seus frutos. As converças que tivemos quando o livro ainda era embrião!!!!!

É A PROVA QUE EXISTE UMA GERAÇÃO DE BONS ESCRITORES NO UNDERGOUND COM PROPOSTAS NOVAS QUE NÃO É SÓ TCUVA E SECA.

BRAVO!!!!!
Pura eu disse…
Concordo contigo Tchale... adorei Vidas Paralelas, e agora estou curiosa para ler Novissimo Testamento. Novas propostas na literatura cabo-verdiana, de facto...

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…