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Das paixões: jornalismo e poesia

paixões



















A última edição da Revista Máxima trouxe uma reportagem com jornalistas que em horário nobre “invadem os ecrãs e conquistam - os portugueses – pela assertividade da sua informação". Uma dessas jornalistas, Conceição Queiroz (esq.), foi nossa colega na Televisão de Cabo Verde, é moçambicana, e trabalha na editoria de Grande Reportagem da TVI. A São, como a chamo, teve uma passagem conturbada, mas muito significativa na nossa televisão pública na qualidade de Chefe de Informação. Virada para um jornalismo cidadão e sem amarras, incompatibilizava-se no dia-a-dia com o funcionalismo instalado, e o insidioso cerco do(s) poder (es). Conceição Queiróz é fiél à sua paixão. Parabéns...

Se eu fosse um padre

eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma...
a um belo poema - ainda que de Deus se aparte
- um belo poema sempre leva a Deus!

nota: M. Quintana (para Tchalé, Alex, Canto da Boca, e Ana Carolina) em nome da poesia pura...

Comentários

Canto da Boca disse…
Olá, que belo sorriso me deste agora, Margarida, ao vir ler-te, deparo-me com essa bela postagem.
Quero dizer que em relação à vodda colega jornalista, é sim uma mulher admirável, linda na ética e na estética,
eu tenho uma admiração infinita pelas pessoas que não concordam com as regras fáceis que não atingem a maioria das populações;
admiração pelas pessoas que seguem fiéis aos seus compromissos o que é o caso de vocês, parabéns e obrigada por existirem, isso me faz continuar
acreditando que a humanidade, a justiça e a equidade, são tarefas possíveis.

Obrigada também pelo belíssimo poema do Quintana, que com sua alma eternamente poética e lírica, sinaliza e sugere a religião dos poetas: o amor!

P.S.
No texto anterior, comentei como Ana Carolina, na verdade, não percebi que estava a escrever desde a página da minha filha.

Um dia criativo, produtivo e feliz!

Beijo!
Pura eu disse…
Fortes convicções as suas... bela forma de estar na vida. Muito me agrada tê-la sempre por perto.
A sua filha também é parte do mundo de Quintana.

Beijos mil,
Anónimo disse…
As palavras são cegas sem o olhar do teu sopro. Alex

Ob pela partilha Margarida, porque como diz mestre Quintana "Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida..."
Anónimo disse…
Obrigada, querida Margarida.

O jornalismo aproxima-nos das coisas e das pessoas. E eu gosto das pessoas. São elas que me inspiram. No entanto, a passagem de um ano pela Televisão de Cabo Verde deu-me a possibilidade de fazer verdadeiro serviço público. Foi uma experiência. E deixa-me lembrar-te que foi maravilhoso trabalhar contigo…

Saudades,
São
Pura eu disse…
Gostei de ler-te Alex.
Saudades querida São.

Abraços aos dois...

Margarida

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