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Alcatrazes: na fímbria do tempo

















Para quebrar o "equilíbrio" ecológico e ontológico descrito pelo poeta Jorge Barbosa de "nem homens nus, nem mulheres nuas", chegaram os navegadores ao serviço do Infante D. Henrique, António de Noli (genovês ao serviço da Coroa Portuguesa) e Diogo Gomes, navegador português, no iniciático ano de 1460 às Ilhas de Cabo Verde.
Os dois descobridores, como prémio da Coroa Portuguesa, tiveram então direito a povoar a Ilha de Santiago, dividida em duas capitanias: a da Ribeira Grande, hoje Cidade Velha, para António de Noli, e Alcatrazes, hoje Nossa Senhora da Luz (Concelho de S.Domingos), a Diogo Afonso. As duas capitanias da Ilha de Santiago, transformaram-se também em dois municípios: um com sede na Ribeira Grande e o outro em Alcatrazes . A estrutura de poder terá permanecido por muito tempo incipiente, dominada por uma reduzida mas forte oligarquia local.
Não nos é possível rastrear a rápida ascensão e queda de Alcatrazes uma vez que nos faltam engenho (mas não arte e vontade) para compreender toda a dimensão desse fenómeno histórico. Lá estão algumas pedras tumulares e elementos sacros, bem como a marca indelével dos homens de então, mesmo em ruínas por consolidar. Mas onde encontrar a vontade e a coerência antropológica de emprestar matéria e dimensão a esses momentos?

À vista, se nos apresenta uma igreja em ruínas, senão mesmo réstias de um templo católico (Capela de Santana, dizem os da terra), e um povo que, apesar de viver na pobreza e em extrema vulnerabilidade social, mantém viva, nos seus ínfimos actos culturais, a memória de uma História, que é nossa. Por conseguinte, em vez de lamentarmos o esquecimento a que espaço está votado, fazemos aqui um "plaidoyer" por Alcatrazes.

Irmã gémea da Cidade Velha (pois Santiago do começo eram as capitanias a norte e a sul), a ideia é complementar esta verdade, quanto mais não seja para potenciar as razões da Cidade Velha virar Património Mundial da UNESCO. Pode ser que ele ainda nos reconte um passado que nos abra caminho para um enorme futuro...





















1. Capela em ruínas (foi construida outra capela ao lado onde celebram a missa)
2. Cruz em ruína no interior da capela antiga
3. Procissão de Nossa Sra da Luz no dia 8 de Setembro

Comentários

Benvindo Neves disse…
É difícil não "lamentar o esquecimento a que o espaço está votado" mesmo com este "Plaidoyer".

Conheci o lugar há coisa de 2 anos e na altura escrevinhei um texto no meu blog. Eis o link:
http://sinta10.blogspot.com/2006_04_20_archive.html#114553722887373515

Abraço
Pura eu disse…
De lamentar acho que andamos um bocado cansados... resta é fazer, cada um ao seu modo, esses tais "Plaidoyes"...gostei do teu, por sinal muito anterior ao meu.

Um abraço

M.

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