Avançar para o conteúdo principal

O crioulo, o jornalismo e o zouk


Receia-se dizer que a oficialização do Crioulo em Cabo Verde, nossa língua materna, é também ela, dentre várias outras questões, motivo de quezílias, principalmente políticas. Fico envergonhada quando percebo que um determinado individuo, ou personalidade, está à cata de argumentos para provar o quanto é inócuo oficializar a nossa língua, o corpus cultural que, em primeira e em última instância, melhor nos identifica.
O que se deve, e nunca é demais, é discutir os métodos do seu ensino e outros procedimentos, aliás muito avançados na sua formulação. Escrevo isso, a propósito de um texto caseiro que condena um alegado empurrão político do Primeiro-ministro para a concretização desse intento. Fiquei atónita! A oficialização do crioulo é uma questão política, sim senhor, e deveria ser uma bandeira de todos os partidos políticos, instituições, comunicação social, escolas, etc.
A oficialização da língua cabo-verdiana contribuiria, sim senhor, para o reforço da nossa identidade (isso é crime?), da nossa cidadania, da nossa centralidade global e da nossa humanidade. É uma questão até de direitos humanos, se se pensar em essência.

Economês versus jornalismo

Todas as quartas feiras à noite tenho um quebra-cabeças para resolver. Tentar digerir 10%, no mínimo, do conteúdo do programa Praça Financeira, da TCV. Cheguei a questionar a minha capacidade de processar números e confesso que me preocupei. Mas depois me abri com outras mentes, e apercebi-me que o problema é quase generalizado. O apresentador do programa, detentor de um MBA em economia, quando entra em delírio economês com os seus convidados se esquece de nós...os outros. É nisso que dá desprezar o jornalismo, desconhecer a palavra especialização e distrair-se diante do óbvio...

Nichols

Surgiu um tal de Nichols no mundo zouk em Cabo-Verde. Falta-me muita informação sobre ele. Sei apenas que ele vem muito à Praia, esteve no Gambôa e já fez dueto com uma crioula. Mas dá para concluir, de ouvido, que a sua música deveria ser proibida nas nossas rádios. Por uma questão de higiene mental...

Comentários

Uiii! Ena! Minhas senhoras, meus senhores (a quem servir), vistam-se.
Anónimo disse…
Quer-me parecer que também eles, os jornalistas muitas vezes se esquecem que estão a escrever, ou a dizer para o público. E não é preciso sair desta página para vestir a pele pela primeira vez. Linguagem para o umbigo é o que mais há por ca
Pura eu disse…
Aliás, existe de tudo um pouco por cá, meu caro anónimo (?). Refira-se, apenas, que nesta página não se faz jornalismo. É um blog pessoal, simplesmente.

Mensagens populares deste blogue

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945