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A (à) imagem de Cabo Verde

publicidade Iogurel






















Em tempos falamos aqui da diluição do mercado, retratando pontualmente a ineficácia de uma publicidade da manteiga planta emitida na TCV (da responsabilidade da empresa revendedora) em que a família pivô era portuguesa. No mesmo bojo se inclui a promoção do Azeite Galo e do Caldo Knorr, produtos oriundos de Portugal, vendidos no mercado nacional, e publicitados diariamente por intermédio de spots feitos para serem emitidos no mercado de origem. Um autêntico nonsense se atentarmos às regras e ao jogo sensorial que fazem parte do acto de promoção de um produto. Nesse post dizíamos que esse tipo de publicidade no qual os consumidores não se revêem, é absolutamente ineficaz. O que se nota é que todos esses produtos são importados, e simplesmente vendidos em Cabo-Verde. É bom saber que no dia em que uma dessas marcas forem adaptadas à imagem dos cabo-verdianos, ou seja, que os códigos para a sua promoção forem nacionais, a venda superaria, certamente, a expectativa dos seus comerciantes revendedores. Arriscamos pensar que essa atitude enganadora e desinteressante advém de alguma incerteza por parte do importador com relação ao mercado nacional. E claro, uma vez mais, voltamos à tal questão simbólica (própria das mentes) sobre a qual nem vale a pena debruçar. Cai bem uma certa alienação…

No meio dessa ausência de atitude, é interessante, e de notar, a ambição plausível da marca iogurte Iogurel em mostrar-se um produto nacional para todos os cabo-verdianos. Isto é, antes de tudo, um sinal de respeito para com os consumidores.
Atitude idêntica resolveu um dia tomar a empresa de telecomunicações CV Telecom quando contratou uma empresa portuguesa para trabalhar a sua marca. A sua concorrente T + foi igualmente muito bem sucedida. Águas de Cabo Verde, BCA, e agora BCN têm, de acordo com as suas posses e ambições, apostado na sua imagem. Só é bem sucedido se for, á partida, à nossa imagem

foto: EME

Comentários

Edy disse…
Tens a total razão do teu lado miúda.Acho que o principal motivo deste "fenómeno" é a falta de produção no país:não se produz nada e,lá onde se produz algo,o mercado não não justifica a publicidade (o exemplo do "pontche" como produto que podia ser publicitado é ilucidativo);por outro lado,temos empresários muito pouco qualificados e,por isso,pouco atentos à importância da publicidade que acham unicamente que publicidade é gastar dinheiro (dou-te o mesmo exemplo dos "pontches" que podiam vender-se muito bem além-fronteira se se fizer uma boa publicidade).Por fim,poderemos também analisar o papel dos publicitários e empresas de publicidade "criolas" cuja qualidade,muitas vezes,deixa muito a desejar...
Pura eu disse…
Eu até entendo essa timidez do mercado e a relação directa que pode, ou não, estabelecer com a publicidade. Mas publicitar um produto importado com referências do país de origem, deveria ser algo inaceitável, a todos os níveis. A marca que quisesse promover o seu produto, deveria espelhar-se no seu consumidor. É simples!Até porque esse pessoal anda a perder dinheiro, à toa. Não é aquela publicidade que potencia a venda da manteira Planta, nem do caldo Knorr. Mas acho que este é um assunto do interesse dos publicitários que nunca dizem nada a respeito, e porque não da ADECO? (Esta associação não deve preocupar-se apenas com o estômago e o bolso do consumidor, mas também com a sua cabeça). Dicas, diria.

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