Avançar para o conteúdo principal

Cabo Verde e Brasil cantam o modernismo

O embaixador do Brasil em Cabo Verde, Victor Gobato, realiza, hoje, em sua residência, na Capital, um jantar/tertúlia, no âmbito da visita a Cabo Verde do literato brasileiro Lauro Moreira, na qualidade de Director-Geral da Agência brasileira de Cooperação. Jorge BarbosaA tertúlia é de resto uma oportunidade impar de se falar sobre dois marcos do modernismo cabo-verdiano e brasileiro, Jorge Barbosa e Manuel Bandeira, respectivamente, e cantar os seus legados.
Jorge Barbosa é considerado o pioneiro da moderna poesia cabo-verdiana. Foi um dos promotores do movimento de emancipação cultural de Cabo Verde que dá a conhecer através da revista Claridade em 1936. Foi nessa linha um dos fundadores da Revista que surgiu com o propósito de “fincar os pés no húmus cabo-verdiano” ao mesmo tempo que preconizava o Modernismo brasileiro, movimento que teve uma grande influência na maior parte dos escritores das literaturas africanas de língua portuguesa, com particular destaque para os cabo-verdianos e os angolanos.
Manuel Bandeira
Manuel Bandeira foi um dos maiores poetas brasileiros. Encetou uma constante busca por novas formas de expressão. Deu os primeiros passos na literatura como parnasiano-simbolista para em "Carnaval", 1919, e "O ritmo dissoluto", 1924, começar a se engajar com os ideais modernistas. Em "Carnaval" estes se tornariam uma das marcas registadas de sua poesia. Mas foi em 1930, com a publicação de "Libertinagem" que o poeta totalmente se integra ao espírito modernista. O encontro para logo mais reúne membros da Associação Cabo-verdiana de Escritores e representantes da cultura.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…