Avançar para o conteúdo principal

O 25 de Abril e as Independências das colónias

ExampleO Centro de Documentação 25 de Abril e o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra estão a organizar um Seminário subordinado ao tema “O 25 de Abril e as Independências das colónias” que irá ter lugar no próximo dia 30 de Abril, entre as 11h e as 18 horas (hora de Lisboa) no auditório da Faculdade de Economia.
A iniciativa tem por objectivo alargar a leitura do 25 de Abril, como um momento amplo de procura de entendimentos sobre a ligação entre Portugal e os espaços que, à altura da revolução de Abril, se designava de ‘ultramar português’. A questão colonial – expressa de forma violenta através da guerra que se vivia em vários destes territórios – tem ela mesma várias leituras. De um lado esta é (re)vivida como ‘a guerra colonial’, enquanto que, para os movimentos nacionalistas, este processo é referido como ‘lutas de libertação nacional’. O impacto da revolução de Abril foi pôr termo ao regime fascista em Portugal; para o espaço colonial, a luta era contra o colonialismo de Portugal, pelas independências nacionais.
A intenção da organização é trazer o 25 de Abril, nas suas múltiplas vertentes, à história de uma camada estudantil que, nascida na sua maioria já em espaços pós-coloniais, tem tido pouco contacto e momentos de reflexão sobre a importância deste momento;
Pretende-se ainda permitir uma leitura mais ampla dos sentidos do 25 de Abril e das independências africanas e de Timor-leste;
Por fim, a ideia é transformar este encontro numa festa de todos – Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tome e Príncipe, Timor.
Esta iniciativa figura também como o resgate de uma história de há 30 anos e uma possibilidade de diálogo entre vários actores de várias gerações, que vai possibilitar uma reflexão mais alargada das realidades que intervém no processo. Da parte de Cabo Verde, além de estudantes, vai participar no evento o Embaixador cabo-verdiano em Portugal, Onésimo da Silveira.

Fonte: A organização

Comentários

Silvino Évora disse…
Bom, para começar, felicitaria a organização deste blogue, sobretudo à pessoa de Margarida Fontes, que dedica uma parte do seu tempo para actualizar este espaço. Eu acho que é um razão digna de nota, uma vez que os blogues vieram dar às pessoas a oportunidade de falar sem serem calados, mas também de escrever sem serem pagos. Por isso, importa felicitar essa ideia de ampliar o espaço de debate público.

Margarida, permitiria-me descordar de ti, num ponto:

não ascho que as coisas se põem nesses termos, quando dizes: "Isto para ilustrar que os jovens do Tarrafal e de Cabo Verde desconhecem a história de sofrimento, dor e resistência que conta o espaço".

Em primeiro lugar, porque a sociedade é composta por pessoas que pertencem a diferentes segmentos culturais, o que quer dizer que, por um lado, há pessoas que se interessam por determinadas coisas, por outro, há pessoas que certos padrões culturais e sociais lhes passam a leste.

A sociedade é composta por pessoas que tiveram a oportunidade de sentar nos bancos da escola e por alguns que nunca viram um professor, a não ser na televisão ou a passar na rua.

E também, não entendo que, com a amostra que apresentaste aqui - de um jovem que não conhecia todas as histórias do Campo de Concentração - terias elementos suficientes que te permitiriam tirar essa conclusão.

Eu tenho certeza que há jovens cabo-verdianos que te contam a história do Tarrafal "tintin por tintin".

Era só isso.

Bom trabalho
Editor disse…
Silvino Évora, ficamos satisfeitos ao saber de si, a valência que carrega este espaço. É digno de nota, igualmente, o comentário que faz sobre o caso do Tarrafal. Acreditamos certamente que você e outros jovens, do Tarrafal ou não, saibam contar as tantas histórias que carrega esse lugar. Mas também há-de concordar que você e esses outros jovens fazem parte de uma minoria. Essa minoria, aliás, a que faz referência no seu comentário. O actual estado do Campo do Tarrafal pode ser uma das razões desse desconhecimento. Longe de nós culpar os jovens, ou quem quer que seja. É toda uma dinâmica que propicia essa lacuna da nossa sociedade, que é real. A Comunicação social em Cabo Verde ainda não está vocacionada para este assunto. As nossas escolas também pecam. Enfim! Devemos acrescentar, finalmente, que a afirmação que fizemos sobre o pouco conhecimento da nossa história (não apenas do Tarrafal) pelos jovens, resultou das algumas entrevistas que fizemos no terreno.

Agradecemos mais uma vez a sua atenção.

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945