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Colónia Penal do Tarrafal: 69 anos depois

A equipa do Monumentos e Sítios esteve nos três últimos dias a gravar mais uma edição do programa, desta feita sobre a ex. Colónia Penal do Tarrafal. Durante esses dias, à par das pequenas curiosidades sobre o ex. Campo que chegavam até nós e das várias histórias que nos contavam sobre as formas de interacção da população para com o espaço, figurou-nos particularmente curioso o comentário do jovem condutor que nos acompanhava: “N´ca sabia ma Campo tinha tanto história si!”
Um jovem dos seus vinte e poucos anos, nascido e crescido na Vila do Tarrafal, situada a aproximadamente quatro quilómetros da ex. Colónia penal.
Um sítio mandado construir a 23 de Abril de 1939 pelo governo colonial português chefiado por António Oliveira Salazar para albergar presos políticos e sociais.
Isto para ilustrar que os jovens do Tarrafal e de Cabo Verde desconhecem a história de sofrimento, dor e resistência que conta o espaço. Hoje, no dia que completam 69 anos da criação da Colónia Penal, o ex. Comandante militar, Júlio Monteiro, promove uma visita guiada ao ex. Campo com as associações juvenis do Concelho do Tarrafal. Monteiro foi responsável pelo treinamento militar no ex. Campo, depois da Independência Nacional e alimenta o sonho de um dia ver o sítio transformado em museu e numa escola profissional para jovens.
O projecto sobre a ex. Colónia Penal de que se ouve falar diz respeito à sua transformação em museu de resistência.
Lamentável, entretanto, é o estado de conservação do espaço: grades que caem, tectos e paredes em ruína e a aparência de um total abandono. As pequenas intervenções havidas no ex. Campo são insignificantes diante do peso da memória que carrega. O Edil local, diz, entretanto, estar certo, de que dentro de um ano a ex. Colónia Penal de Cabo Verde poderá vir a ser digno de lugar de memória.

Comentários

::mari:: disse…
é pena que o espaço esteja tão degradado... devia ser da competência do governo restaurar e manter esse património histórico... caso contrário serão apenas ruinas daqui a uns anos e pouco poderão mostrar às novas gerações

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