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O meu Agosto

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10 di Agostu. É assim tradicionalmente chamada a festa padroeira de S. Lourenço, no Fogo, que acontece todos os anos nessa zona no norte da ilha. Foi sempre uma celebração fortemente religiosa seguida, ao fim da tarde, de pequenos bailes populares. O dia era também de encontros de gentes da ilha, com forte presença de pessoas que vinham das localidades mais ao norte do Fogo, e dos emigrantes. As pessoas da cidade também participavam, e havia transporte regular de diferentes localidades que fazia de S. Lourenço, nesse dia, o ponto mais movimentado da Ilha. Em todos os Agostos, lembro-me de, no dia 10, falar dessa festa em que sempre participei em criança, nas missas e no convívio paroquial, acompanhada da minha mãe e do meu irmão. O dia em que admirava de soslaio a velhice do falecido Padre Fidelis, pároco capuchinho da localidade por largos anos, naquela época fora do activo.
Lembro-me ainda, e com saudades, de, nesse dia, aproveitar sempre para pegar boleia de moto de volta a S. Filipe, enquanto os outros aguardavam pelo carro. É que nas festas de santo no Fogo o desfile de moto faz parte dos programas recreativos, e ainda que hoje tal não faça, existe ainda sempre uma presença significativa de motos nas festas. E todos conheciam todos, por isso, era segura uma criança ir de boleia. Hoje não me parece que assim seja.
Hoje, não sei se 10 de Agosto continua a ser aquela festa de encontros que decorria à volta da igreja e do cemitério. Não sei se ainda o dia 10 continua a ser a data de oficialização de alguns namoros, e a garantia de conquistas para alguns jovens mais tímidos. Não sei se ainda existe aquela áurea sacra especial que emprestava grandeza ao dia. Hoje não tenho muito a dizer desse Agosto que fez parte mim.

imagem: Pollock

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